Documentos das bolsas de estudo repostos após 20 dias de “apagão”

Problema informático impedia, desde o início do mês, consulta dos processos de 20 mil estudantes, atrasando atribuição de novas bolsas de estudo.

A recepção de correios electrónicos fraudulentos é o principal crime cibernético de que os portugueses se queixam
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A recepção de correios electrónicos fraudulentos é o principal crime cibernético de que os portugueses se queixam Foto: PÚBLICO

Os Serviços de Acção Social (SAS) das várias instituições de ensino superior já podem retomar a análise das cerca de 20 mil candidaturas a bolsas de estudo dos alunos universitários, cujos processos estavam parados desde o início do mês, devido a um problema informático. A Direcção-Geral do Ensino Superior (DGES) conseguiu repor o acesso à plataforma onde está alojada a informação, pondo fim a uma “apagão” que durava há 20 dias.

As universidades e institutos politécnicos foram contactados, no final do dia da passada quarta-feira, pelos serviços da DGES, que anunciavam a reposição da informação que estava alojada na plataforma informática usada pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC) para gerir os processos de candidatura a bolsas de estudo no ensino superior. A informação foi também confirmada ao PÚBLICO por fonte da tutela.

Segundo o MEC, o problema ficou a dever-se à transferência das informações para um novo servidor, que demorou 20 dias a ser feito. O problema de acesso à informação começou a verificar-se a 11 de Dezembro, ainda que apenas no dia 19 – dois dias depois da notícia do PÚBLICO que dava conta da situação – a DGES tenha enviado um email aos vários SAS informando que, a partir das 12h00 daquele dia, a plataforma informática estaria indisponível “por um período indeterminado”.

O “apagão” informático verificava-se no arquivamento digital de documentos entregues pelos estudantes para provarem o seu direito a receber bolsa de estudo, dos quais constam declarações de rendimentos, informação fiscal ou académica, que são dados necessários para a análise dos processos pelos técnicos dos SAS. Além das candidaturas submetidas este ano e que ainda não foram analisadas pelos serviços, o problema afectava também todos os dados relativos aos anos anteriores que estavam guardados na mesma plataforma informática.

Apesar deste problema no acesso aos documentos, “os pedidos de bolsa já analisados e deferidos estão a ser pagos normalmente”, sublinha o MEC. De facto, foram feitas transferências de bolsas já atribuídas antes e depois de Natal. O problema no servidor impediu, porém, os SAS de analisarem as candidaturas ainda sem decisão tomada. Das mais de 85 mil candidaturas a bolsas já apresentadas neste ano lectivo, cerca de 20 mil ainda não têm decisão e há instituições que têm cerca de metade dos casos ainda por encerrar. O processo pode agora ser retomado quando, na segunda-feira, os técnicos da acção social retomarem o trabalho depois de terem estado parados na quadra natalícia, na generalidade das instituições, que estiveram encerradas para redução de custos durante as férias dos estudantes.

Este não foi o primeiro problema verificado este ano com a plataforma de candidatura às bolsas de acção social. No final de Setembro, no final do primeiro prazo dados aos estudantes para solicitarem o apoio do Estado, o mesmo sistema sofreu um outro bloqueio. Na altura, o MEC admitia que um “pico de acessos” nos últimos dois dias do mês provocou uma “natural” dificuldade de acesso à plataforma.

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