Exército da Gâmbia anuncia derrota de tentativa de golpe militar

Presidente Yahya Jammeh, no poder há 20 anos, estava ausente do país quando o palácio presidencial foi atacado por homens armados.

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Jammeh foi reeleito em 2011 para um quarto mandato consecutivo AFP

Militares armados atacaram o palácio presidencial de Banjul, capital da Gâmbia, mas Yahya Jammeh, o homem que há duas décadas governa o país com mão de ferro estava ausente e as suas forças anunciaram ter debelado a tentativa de golpe de Estado. Durante a noite regressou à capita.

Um oficial gambiano contou à AFP que a intentona foi liderada por Lamin Sanneh, um antigo capitão do Exército que desertou. Segundo a mesma fonte, Sanneh chegou de barco às imediações do palácio, situado numa avenida marginal da cidade, “juntamente com seis outros militares fortemente armados”, pelas 3h desta terça-feira (mesma hora em Portugal continental).

Habitantes na zona confirmaram ter ouvido intensas trocas de tiros e uma fonte ocidental na região disse à agência francesa ter informações de que se tratou de “uma tentativa de golpe militar”. Após algumas horas de incerteza, o Exército anunciou ter reprimido o assalto e o oficial gambiano assegurou que três dos atacantes, incluindo Sanneh, foram mortos. “Um deles foi capturado e entregue à Agência Nacional de Informação (NIA) para interrogatório."

Ainda durante a manhã foi revelado que o Presidente estava ausente do país – várias fontes adiantaram que estaria em Paris, mas um responsável do Governo assegurou que Jammeh se encontra “numa visita de carácter privado” ao Dubai. À noite, foi anunciado que o seu avião tinha partido do Chade, de regresso à Gâmbia.

Foi também através de um golpe militar que Yahya Jammeh chegou em 1994 ao poder, destronando Dawda Jawara, que tinha sido até então o único chefe de Estado desde que este pequeno país da África Ocidental se tornou independente, em 1965.

Então um tenente do Exército com 29 anos, Jammeh trocou a farda por vestes tradicionais e cultiva a imagem de um líder atento às necessidades do seu povo, recorda a AFP, mas muitos denunciam a repressão da imprensa, da oposição e das organizações de direitos humanos. Reeleito em 2011 para um quarto mandato de cinco anos, afirmou à BBC que pretendia continuar a governar a antiga colónia britânica, um popular destino de turismo, “por um bilião de anos”.