Vila Franca e Loures querem passeio ribeirinho de 20 kms até Lisboa

As duas câmaras estão em contacto para apresentarem uma candidatura conjunta aos fundos europeus com o objectivo de facilitar a sua aprovação. Um dos obstáculos está na falta de terrenos públicos disponíveis.

Foto
Vila Franca já dispõe de 12 kms de passeio ribeirinho Pedro Cunha

Se for aprovada e financiada, esta iniciativa permitirá criar um passeio ribeirinho (para peões e ciclistas) que, ligado ao já existente entre Alverca e a Póvoa de Santa Iria, terá quase 20 quilómetros de extensão. 

A Câmara de Vila Franca de Xira já investiu mais de 15 milhões de euros na requalificação de uma boa parte da sua frente ribeirinha que, do lado urbano do concelho (margem direita do Tejo) se estende por cerca de 23 quilómetros. Começou pela requalificação da frente de Alhandra e pela criação de um caminho pedonal à beira Tejo até ao sul de Vila Franca de Xira.

Neste troço de 4 Kms foram investidos cerca de 6 milhões de euros. Anos mais tarde, a autarquia prolongou o percurso até à zona Norte de Vila Franca de Xira – mais dois quilómetros orçados em perto de três milhões de euros. Mais recentemente, em 2013, concluiu um investimento de sete milhões de euros na requalificação de mais seis quilómetros na zona compreendida entre Alverca e a Póvoa de Santa Iria. Todas estas obras, num total de 12 km, contaram com importantes financiamentos comunitários.

 “Temos estado em contacto com o presidente da Câmara de Loures no sentido de apresentarmos uma candidatura intermunicipal, para termos uma possibilidade de Loures chegar até Lisboa e de Vila Franca chegar até Loures, através de um passeio ribeirinho”, revelou Aberto Mesquita (PS), presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, no decorrer da última reunião pública da autarquia. 

O autarca adiantou que o objectivo é ligar este tipo de estruturas de usufruto da zona ribeirinha às que já existem no Parque das Nações. Segundo Alberto Mesquita, o presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares (CDU), “está de acordo com esta possibilidade, até porque uma candidatura de carácter intermunicipal tem mais possibilidades de vir a ser aprovada”.

Certo é que Vila Franca de Xira considera que esta pode ser uma boa possibilidade de completar a requalificação da sua frente ribeirinha na zona sul do concelho (entre a Póvoa de Santa de Iria e Santa Iria d’Azóia) e de, através das ligações ao concelho de Loures e ao Parque das Nações, potenciar a sua utilização. “Temos a grande ambição de chegar ao Parque das Nações e permitir que as pessoas possam caminhar ou andar de bicicleta entre Lisboa e Vila Franca”, confessa Alberto Mesquita.

Os troços já existentes no concelho de Vila Franca incluem normalmente uma pista dupla de circulação à beira-rio, com uma via para peões e outra para ciclistas. Ao longo do percurso há espaços com aparelhos de manutenção física, sanitários, uma cafetaria, bancos para descanso, bebedouros e ainda um núcleo museológico.

“Tem havido várias reuniões entre as duas câmaras para prepararmos a candidatura”, acrescenta Alberto Mesquita, admitindo que uma das dificuldades do projecto está no facto de grande parte dos terrenos necessários serem propriedade privada. “As coisas têm que ser tratadas com a especificidade e a complexidade que têm e cada caso é um caso”, rematou Alberto Mesquita, que abordou o assunto em resposta ao vereador social-democrata Rui Rei.

Este vereador, eleito pela coligação Novo Rumo (PSD/PPM/MPT), defendeu o aproveitamento transitório para estacionamento de um espaço da frente ribeirinha da Póvoa de Santa Iria, propriedade de um fundo ligado ao Millennium BCP e destinado a uma urbanização cuja construção não deverá avançar no curto prazo. 

Fábricas e base aérea impedem mais obras
O concelho de Vila Franca de Xira tem ainda cerca de 10 quilómetrosda margem direita do Tejo por requalificar. Mas nalguns desses troços o objectivo revela-se muito mais difícil, porque existem unidades fabris e uma pista de aviação mesmo junto ao rio. É o caso da fábrica da Cimpor em Alhandra, da fábrica da Solvay na Póvoa de Santa Iria e da pista de aviação de Alverca (gerida pela Força Aérea, em articulação com a Ogma).

Nestes casos, a autarquia equaciona a possibilidade de ligar os passeios ribeirinhos existentes através de caminhos que contornem os “obstáculos”, mesmo que se afastem do rio durante algumas centenas de metros.

Se um dia for possível ligar o Norte do concelho ao Parque das Nações através de percursos à beira Tejo estaremos a falar de cerca de 30 km, o que seria muito atractivo para praticantes de ciclismo, de atletismo ou de outras actividades desportivas. Se esse percurso contínuo se limitar à ligação entre Alverca e o Parque das Nações ficará com um total de cerca de 20 quilómetros.