Polícias sinaleiros vão voltar ao Porto a partir de segunda-feira

A PSP apresentou publicamente o homem que, juntamente com um colega, vai passar, nas horas de ponta, a mandar no trânsito à entrada da Ponte Luis I

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O novo sinaleiro do Porto foi ontem apresentado pela PSP Nelson Garrido

Na apresentação do serviço que vai ser retomado no Porto, que ocorreu esta terça-feira, a confusão não foi propriamente de trânsito. A satisfação pela presença do agente João Martins no entroncamento da Rua do Infante e da Gustavo Eiffel levou alguns condutores a parar e a pedir para tirarem, com ele, as famosas “selfies”.

Como lembrou o subcomissário Jacinto Ferreira, da Divisão de Trânsito do Comando Metropolitano do Porto da PSP, as ordens de um sinaleiro sobrepõem-se à sinalização, pelo que ninguém entrou em infracção.

As boas reacções foram uma constante, incluindo dos muitos turistas que passeiam naquela zona, e a PSP, ao preparar a reactivação do serviço, que só não foi retomado já no Verão por causa das obras no túnel da Ribeira, não se alheou deste expectável impacto. A peanha, que põe o agente a olhar o trânsito de cima, tem ares de antiga, e a farda, capacete e talabar (cinto largo) incluídos, lembra outros tempos. A isto, junta-se um cuidado especial na escolha dos agentes, que, percebido o jeito, e treinada a arte, dominam aquele espaço em volta com gestos fluídos.

“Não é para qualquer um”, assinala o subcomissário, adiantando que o serviço só começa de facto a 29 de Dezembro porque um dos agentes não está, neste momento disponível. Um deles vai fazer o turno entre as 7h30 e as 10, e o outro estará na peanha entre as 17h e as 19h30, cobrindo, nos dias úteis, os dois momentos mais problemáticos, durante os quais a mão humana acaba por ser bem mais eficaz do que qualquer sistema de semáforos. Com um sinaleiro não há tempos mortos. É bom para o trânsito e para os peões”, garante o responsável da Divisão de Trânsito.

Curiosamente, foi o alargamento da semaforização que, em 1992, ajudou a acabar com os polícias sinaleiros. A gestão do tráfego passou a ser feita à distância, nas salas onde estes sistemas se controlam, mas a PSP considera importante também a questão da “visibilidade” perante o seu público, neste caso automobilistas e peões. “Queremos dar uma imagem positiva. Da PSP e também do Porto”, assumiu Jacinto Ferreira.

Já na capital, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP adianta que “actualmente existem quatro polícias sinaleiros” no activo, um dos quais do sexo feminino. “Até ao mês de Novembro apenas existiam dois”, explica o subcomissário Hugo Abreu, acrescentando que os novos elementos “receberam formação com os mais antigos”. 

“Dois estão na Rua da Escola Politécnica e dois no cruzamento da Rua da Junqueira com a Calçada da Ajuda”, explicita o Cometlis de Lisboa em resposta a perguntas do PÚBLICO. De acordo com Hugo Abreu, para a escolha desses locais contribuíram “o elevado número de viaturas a circular nos cruzamentos e a inexistência de sinalização luminosa ou vertical” mas também “a visibilidade da presença policial”.

“Atendendo a que o sinaleiro realiza o seu serviço sempre no mesmo local acaba por fazer parte da comunidade e dessa forma a PSP realiza um policiamento de visibilidade e de proximidade”, acrescenta o subcomissário da PSP. E podem os polícias sinaleiros ser considerados um atractivo em termos turísticos? “Sem dúvida que sim”, diz Hugo Abreu, rematando que esta é uma figura “muito apreciada pelos cidadãos nacionais e pelos turistas que visitam o país”.