PIB dos Estados Unidos cresce ao ritmo mais elevado da última década

Estimativa final do Departamento do Comércio aponta para aumento de 5% no PIB do terceiro trimestre.

Banca e Wall Street paga erros da crise
Foto
O banco Goldman Sachs é um dos mais importantes no mundo da indústria financeira norte-americana Brendan MacDermid/Reuters

As bolsas de Nova Iorque estão esta terça-feira a registar recordes depois de o Departamento do Comércio dos Estados Unidos ter revelado que a economia norte-americana cresceu 5% no terceiro trimestre do ano, bem acima dos 3,9% para que apontava a anterior estimativa, divulgada há cerca de um mês.

Os dados finais para o andamento do produto interno bruto (PIB) entre Julho e Setembro fizeram com que o índice Dow Jones ultrapassasse os 18.000 pontos e o S&P 500, que reúne as 500 maiores cotadas nos Estados Unidos, passasse a barreira dos 2000 pontos – tudo recordes históricos.

O registo do PIB no terceiro trimestre é, também ele, o melhor dos últimos 10 anos e parece pôr definitivamente para trás os dramáticos impactos da crise económica e financeira que eclodiu depois da falência do banco Lehman Brothers, no auge da derrocada gerada pelos crédito tóxicos (subprime).

O valor final apurado pelo Departamento do Comércio bate claramente as estimativas do painel de economistas consultados pela agência Bloomberg, que apontavam para um ponto médio de 4,3%. O consumo privado é o principal responsável pelo crescimento obtido, beneficiando, por um lado, da sensível recuperação do mercado de trabalho e, ainda, pela redução dos preços dos combustíveis – o que aumentou o poder aquisitivo das famílias.

Os outros indicadores que têm um importante impacto no cálculo do PIB, nomeadamente os gastos governamentais, o investimento e o comércio com o exterior, registam crescimentos moderados.

David Berson, economista-chefe da Nationwide Insurance, reconhece que a economia norte-americana é, actualmente, “a locomotiva de crescimento do mundo”. Mas, em declarações à Bloomberg, diz estar convicto de que, no último trimestre do ano, o ritmo de desenvolvimento será menor, nomeadamente na área do investimento empresarial, especialmente ao nível do sector da construção.

Mesmo neste quadro, os dados divulgado esta terça-feira abrem mais espaço para que a Reserva Federal possa avançar para um aumento das taxas de juro de referência, depois de ter dado como finalizado o programa quantitative easing de injecção de dinheiro na economia.