Quem tem mais influência sobre o Conselho Geral da RTP? Para Poiares Maduro é o Bloco de Esquerda

Numa entrevista à TSF, o ministro que tutela a comunicação social garantiu que “o Governo não tem qualquer poder ou influência” sobre os membros do conselho independente. “Se calhar”, afirma e repete, “o Bloco de Esquerda tem mais”.

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Poiares Maduro é o ministro com a tutela da RTP Miguel Manso

“Ninguém retirou a confiança política ao Conselho de Administração [da RTP]”, começou por explicar o ministro. A ideia, aliás, é que o Governo não teve qualquer papel na recente crise que opôs a administração da televisão pública, liderada por Alberto da Ponte, ao Conselho Geral Independente. Este conselho, adianta Poiares Maduro, “é composto por pessoas independentes”, que não recebem orientações do Governo.

Para sublinhar essa ideia, o ministro lança, com a cautela de um “se calhar…”, o soundbyte: "O Bloco de Esquerda tem mais influência sobre o CGI da RTP do que o Governo." No fundo, tratava-se de conter os danos que a polémica na estação estão a provocar no Governo. O próprio ministro da Presidência, Marques Guedes, que como Poiares Maduro chegou ao Governo para substituir Miguel Relvas, chegou a criticar a aquisição dos direitos de transmissão dos jogos de futebol da Liga dos Campeões pela RTP.

O ministro-Adjunto e do Desenvolvimento Regional negou que essa crítica do seu colega de Governo fosse uma sentença para Alberto da Ponte ou uma interferência nas competências do GCI.

Negando qualquer braço-de-ferro, Poiares Maduro esclarece que a administração está mesmo de saída: "Os estatutos são muito claros", diz, "quanto a esta administração, ela manter-se-ia em funções dependendo de uma decisão do CGI quanto ao seu projecto estratégico". Ora, como se sabe, o CGI chumbou o plano estratégico da administração por duas vezes. Conclusão: "Automaticamente a actual administração dissolve-se".

Numa outra parte da entrevista, dedicada aos cenários políticos, Maduro deixou claro que entende que o Governo "não pode governar para eleições, mas para as gerações futuras", rejeitando "a ideia de que se ganham eleições com medidas eleitoralistas, escondendo às pessoas as dificuldades que ainda temos pela frente".