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A astronomia e o espaço andam à conquista da Europa pelas mãos de um português

Foi considerado o melhor programa educativo europeu na área da Ciência e acaba de receber dois milhões de euros do Horizonte 2020. Projecto é coordenado por um jovem português e quer chamar os mais novos para as ciências do espaço

Passar às crianças e adolescentes o fascínio das ciências do espaço e consciencializar os jovens para as “muitas oportunidades de emprego” que esta área oferece actualmente e oferecerá ainda mais no futuro. O plano vai ser posto em prática nos próximos três anos por Pedro Russo e a equipa que o jovem português coordena no projecto internacional de divulgação e educação em astronomia e ciências do espaço EU Space Awareness (EUSPACE-AWE), que vai receber um financiamento de dois milhões de euros do programa Horizonte 2020.

O astrofísico português não podia estar mais satisfeito: além do financiamento europeu para o EUSPACE-AWE, o projecto Universe Awareness (UNAWE), iniciado na Universidade de Leiden, na Holanda, em 2006, foi também distinguido pelo prémio Scintix Award for best resources in Science, Technology, Mathematics and Engineering, como a melhor plataforma de material educativo na área do espaço.

O novo projecto, com início marcado para Março de 2015, conta com dez parceiros europeus (dois deles portugueses: a Ciência Viva e o NUCLIO – Núcleo Interactivo de Astronomia) e vai “mostrar ao ensino básico, primário e secundário o que se faz no espaço, trabalhando directamente com alunos e professores, que terão acesso ao primeiro curso online nesta área, e levar os astrónomos, cientistas e engenheiros para dentro das salas de aulas da Europa”, contou ao P3 Pedro Russo, 37 anos, numa entrevista por telefone.

O jovem licenciado em Astronomia e com um mestrado em Geofísica pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto fala de um “problema europeu grave” de falta de jovens quadros nas áreas das ciências do espaço: “Há pouco conhecimento entre os jovens destes programas e do facto de estas serem potenciais áreas de emprego e carreiras.” As necessidades, diz o investigador, são essencialmente “nas áreas técnicas, engenharia, engenharia de computadores e programação, mas também na física, química e ciências mais duras.”

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Crise muda preferências

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Esse afastamento foi sendo promovido por um “modelo social que premiava algumas carreiras em detrimento de outras”. Mas a tendência para seguir “carreiras clássicas” está a esmorecer, acredita Pedro: “Dantes muitos jovens diziam-me que gostavam de seguir determinadas áreas mas que tinham medo das saídas profissionais. Sinto que isso está a mudar. A crise que a Europa atravessa está a fazer os jovens escolherem sobretudo o que gostam.”

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No projecto anterior — que só nos últimos três anos contactou com mais de 200 mil alunos, formou mais de cinco mil professores do ensino básico e distribuiu 11 mil “kits” educativos —, o foco era nas crianças entre os quatro e os dez anos. Agora, as actividades vão ser pensadas para chegar a um público mais alargado de adolescentes e jovens mas também às famílias, que têm “um papel muito significativo na escolha da profissão”.

Para Pedro Russo, a escolha da astronomia foi “um conjunto de cliques”. Na infância em Figueira de Castelo Rodrigues, na Guarda, o contacto com a natureza era muito próximo. “Há pouca poluição luminosa e isso faz com que haja um grande aproximação com as estrelas”. Um dia, tinha Pedro uns dez anos, viu uma estrela cadente e ficou impressionado. Os avós tentaram explicar-lhe o que era mas a resposta não o convenceu, os pais não sabiam explicar e aconselharam-no a ir à biblioteca local. “Comecei a ficar fascinado a partir daí. Um ano depois já era membro da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores.”

Actualmente, o astrofísico trabalha mais como divulgador de ciência do que como investigador, mas sente-se “parte de todo o processo científico” e realça que só com “partilha de informação” é que a Ciência pode cumprir completamente o seu papel. Além da licenciatura e mestrado, Pedro Russo fez doutoramento sobre a atmosfera do planeta Vénus no Instituto Max Planck. Esteve ainda integrado na Agência Espacial Europeia e, em 2009, coordenou o Ano Internacional da Astronomia, um evento que dinamizou 800 milhões de pessoas e envolveu 61 países.