Rússia, Fed e Grécia causam dia de ansiedade nos mercados internacionais

Investidores temem nova crise financeira nos mercados emergentes e fogem das apostas mais arriscadas para activos que consideram como portos seguros.

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Atenções dos mercados estão viradas para a Rússia

A principal preocupação está na Rússia. Na terça-feira, o rublo caiu a pique, colocando a perda face ao dólar durante este ano já em 52%. O banco central respondeu na manhã desta quarta-feira com a subida drástica das taxas de juro de 10,5% para 17% e o Ministério das Finanças anunciou que iria usar as suas reservas de divisas internacionais para comprar rublos segurando assim a divisa russa.

Inicialmente, estas medidas conseguiram estancar a queda da moeda, registando-se até uma ligeira recuperação. Esta no entanto foi de curta duração e existem muitas dúvidas em relação à capacidade das autoridades em controlarem os sinais de pânico a que se assiste entre as empresas russas que estão a tentar trocar rublos por dólares de forma cada vez mais intensa.

Os investidores temem que estejamos perante uma situação semelhante à registada em 1998 quando a crise financeira russa acabou por tem um impacto negativo severo na generalidade das economias emergentes, com os efeitos a serem também sentidos nos países mais desenvolvidos. A situação actual agrava-se ainda pelo facto de, em simultâneo, se assistir a uma queda acentuada dos preços do petróleo que, para além da Rússia, afectam outras economias emergentes produtoras de crude.

Outro factor de incerteza é o final da última reunião do ano da Reserva Federal, esperando-se que a autoridade monetária norte-americana dê mais um passo na retirada das medidas expansionistas que tem vindo a pôr em prática desde o início da crise financeira internacional em 2008. Nos mercados, existe a expectativa que, apesar da situação de incerteza que se vive actualmente nos mercados, a Fed vai dar sinais de que já está a começar a preparar uma futura subida de taxas de juro. Mais uma vez, os mercados temem que esse cenário possa afectar as economias emergentes.

Por último, esta quarta-feira realiza-se a primeira votação no parlamento grego para a eleição do novo presidente. O mais provável é que não seja possível chegar à maioria exigida pela lei, adiando para próximas votações uma decisão final. Se, depois de mais duas tentativas, o parlamento não conseguir chegar a acordo para a eleição de um presidente, terão de ser marcadas eleições legislativas antecipadas, algo que tem vindo a constituir uma preocupação para os investidores internacionais.