Só 85 professores pediram compensações por colocações anuladas nas escolas

O erro na ordenação das listas terá afectado cerca de 2500 professores, mas a grande maioria ficou colocada no concurso seguinte, alegou, na altura, o ministério

Professores faltam a duas horas diárias, as das reuniões de avaliação
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Professores faltam a duas horas diárias, as das reuniões de avaliação PÚBLICO

Dos cerca de 2500 professores cujas colocações nas escolas foram anuladas no dia 3 de Outubro, na sequência de erros no concurso promovido pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), só 85 docentes requereram uma compensação pelos danos sofridos, revelou nesta terça-feira a comissão criada pelo Governo para analisar os pedidos e a respectiva fundamentação.

A possibilidade de conseguir “acordos extrajudiciais” foi oferecida pelo MEC aos professores colocados a dar aulas em Setembro através do concurso denominado Bolsa de Contratação de Escola (BCE). Mais tarde, o ministério viria a assumir que a lista com base na qual aqueles professores conquistaram as respectivas vagas estava ordenada de forma incorrecta, devido, entre outros aspectos, a um erro na fórmula matemática que determinou a classificação final de cada um. No dia 3 de Outubro todas as colocações foram anuladas. Mas, depois de refeita a lista, no entanto, a grande maioria dos docentes voltou a ficar colocada, alegou, na altura, o MEC. <_o3a_p>

Os dirigentes da Federação Nacional de Professores (Fenprof) e da Federação Nacional de Educação (FNE), João Louceiro e Dias da Silva consideraram na semana passada que não seria através do pagamento de despesas de transporte, água, electricidade, água ou renda (para os quais foi exigida documentação comprovativa) que os professores seriam compensados. Também César Israel Paulo, da Associação Nacional dos Professores Contratados, sublinhou a necessidade de compensação dos “danos morais e profissionais”.

Contactados esta terça-feira, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, e César Isarel Paulo não se mostraram surpreendidos com o baixo número de professores que reclamaram a compensação. "É até mais alto do que eu esperava", comentou Nogueira. Ambos consideraram que o nível de adesão dos professores a este processo se fica a dever à alegada falta de imparcialidade da comissão de acompanhamento (que tem um dirigente escolar a representar os interesses dos professores) e à percepção de quais são “as suas reais funções", "de mera verificação de facturas”, ironizou César Israel Paulo. “Os professores perceberam que isto é uma coisa de faz-de-conta, para o ministério tentar lavar a cara”, precisou Nogueira que, tal como César Israel Paulo, acredita que muito dos docentes vão recorrer, com sucesso, aos tribunais. No dia em que terminou o prazo para requerer as compensações, quinta-feira passada, o PÚBLICO ouviu professores que disseram que iriam fazer isso mesmo.