Rublo acentua queda livre apesar das ajudas do banco central russo

Cotação baixou para 80 rublos por euro e 64,2 rublos por dólar depois de o banco central ter aumentado as taxas de juro para 17%.

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O rublo teve uma queda de cotação superior a 6% na passada segunda-feira
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O rublo teve uma queda de cotação superior a 6% na passada segunda-feira VASILY MAXIMOV/AFP

A medida, tomada à meia-noite de segunda-feira, teve um impacto imediato positivo nos mercados cambiais, com a moeda a recuperar parte do valor perdido. Mas, passadas poucas horas, voltou ao quadro de desvalorização agravado nas últimas semanas, atingindo os 80 rublos por euro e 64,2 rublos por dólar.

A depreciação da moeda russa, que soma 44% no acumulado do ano, é consequência de um conjunto de circunstâncias que atiraram a economia russa para os limiares da recessão. O pacote de sanções ocidentais na sequência da ocupação da Crimeia e dos acontecimentos na Ucrânia é uma das razões que explicam este declínio, bem como a queda livre dos preços do petróleo, matéria-prima que é responsável por mais de 40% das receitas orçamentais do estado russo.

O banco central tem tido uma política pró-activa ao nível da intervenção monetária para defender a moeda, mas sem conseguir suster a queda do rublo. Para além de aumentos das taxas de juro de referência, que já somam 10,5 pontos percentuais ao longo do ano, a autoridade monetária tem procedido a injecções de liquidez que também não tiveram os resultados desejados.

O problema é que as perspectivas de evolução do mercado petrolífero apontam para um cenário cada vez mais sombrio para os países produtores. Esta terça-feira, o preço do barril de Brent, que serve de referência para a Europa, caiu abaixo dos 60 dólares, o que acontece pela primeira vez desde 2009.

O Governo russo viu-se obrigado, perante este quadro, a rever em baixa as suas previsões de crescimento, apontando agora para desempenhos próximos do zero nos próximos três anos, mas os analistas não afastam um cenário de recessão provavelmente já no próximo ano. Essa perspectiva é, agora, agravada pelo facto de as taxas de juro terem disparado para um nível que tornam mais difícil o investimento e que irá agravar a situação das famílias com encargos assumidos junto da banca.