Crónica de jogo

Lima exorcizou todos os fantasmas que assombravam Jesus no Dragão

Dois golos do avançado do Benfica ditaram a primeira derrota do FC Porto no campeonato e deixam os “encarnados”, que estiverem bem tacticamente, com seis pontos de vantagem sobre os “azuis e brancos”.

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Já está: Lima celebra no Dragão num jogo em que tudo lhe saiu bem AFP/FRANCISCO LEONG
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Nos últimos 23 anos só por duas vezes o Benfica tinha batido o FC Porto no Dragão para o campeonato REUTERS/Miguel Vidal
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Brahimi luta com Maxi: desta vez, o pequeno génio argelino foi incapaz de levar o FC Porto à vitória REUTERS/Miguel Vidal
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Alex Sandro e Salvio num lance dividido AFP/FRANCISCO LEONG
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Danilo passa por André Almeida no clássico do Dragão AFP/FRANCISCO LEONG
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Quaresma incentiva Quintero: o forcing final do FC Porto não chegou para evitar a derrota AFP/FRANCISCO LEONG
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Samaris derruba Jackson: o melhor marcador da Liga ficou em branco AFP/FRANCISCO LEONG
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Jorge Jesus conseguiu esta noite a sua primeira vitória para a Liga no Dragão REUTERS/Miguel Vidal
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Lopetegui lançou Quaresma na segunda parte, mas a noite foi do Benfica REUTERS/Miguel Vidal

Dois golos de Lima garantiram a Jorge Jesus a primeira vitória como treinador do Benfica no Estádio do Dragão para o campeonato e proporcionaram um passo de gigante dos “encarnados” para a revalidação do título nacional. Frente a uma equipa do FC Porto que mostrou debilidades que já se tinham visto nesta época contra o Sporting, para a Taça de Portugal, as “águias” foram mais eficazes e com o triunfo, por 0-2, lideram agora a prova com seis pontos de vantagem sobre os rivais.

Ao contrário do que acontecia até há meia dúzia de semanas, altura em que a ficha de jogo com o “onze” escolhido por Julen Lopetegui era uma espécie de kinder surpresa, agora adivinhar a equipa seleccionada pelo basco é tão fácil como, nos últimos anos, prever que na Bundesliga há 18 equipas e no final ganha o Bayern. A única dúvida do lado portista era saber quem faria dupla com Martins Indi no centro da defesa e, dando sequência aos indícios deixados nos últimos tempos, Lopetegui deixou mesmo cair Maicon, apostando em Marcano. Tacticamente, mantinha-se o 4x3x3, com Casemiro de regresso ao trio do meio-campo e Quaresma no banco de suplentes — pela primeira vez o FC Porto iniciou um “clássico” sem portugueses na equipa titular. O jogo, porém, confirmou que Brahimi já teve melhores dias.

Perito em tirar coelhos da cartola no Dragão, quase sempre com maus resultados, Jorge Jesus surpreendeu por não surpreender. O Benfica apresentou-se com a equipa habitual e Jonas, um dos benfiquistas em melhor forma, ficou no banco. Com uma equipa de tracção à frente (Samaris e Enzo eram os mais defensivos, excluindo o quarteto de trás), Jesus não abdicou de um dos seus fiéis escudeiros: Lima. A história dizia que o brasileiro se dava bem na casa do FC Porto e o filme do jogo mostrou que a tradição ainda é o que era.

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Os primeiros 10/15 minutos faziam antever mais uma noite de dores de cabeça para Jorge Jesus. Com rotações elevadas, o FC Porto entrou de prego a fundo e, logo no arranque, Tello venceu o sprint com André Almeida e foi travado pelo único português em campo a escassos centímetros de entrar na área. O benfiquista via amarelo e Jorge Jesus passou as mãos pelo cabelo em sinal de preocupação. Parecia um mau prenúncio para os “encarnados” para os muitos duelos individuais que se esperava, mas essa foi a única vez que o espanhol criou problemas aos benfiquistas enquanto esteve em campo.

Nos minutos seguintes, principalmente com as diagonais de Óliver e Herrera, que surgiam nos flancos provocando lances de dois contra um com os laterais benfiquistas, Júlio Cesar passou por dificuldades: aos 7’, Herrera rematou mal; aos 12’, Jackson chegou atrasado a um centro.

Porém, após a primeira dezena de minutos, o Benfica encaixou as suas peças no puzzle portista e, a pouco e pouco, o FC Porto foi sendo anulado, muito graças à acção de Samaris e Enzo, que encheram o meio-campo. Se defensivamente os lisboetas já estavam a funcionar como Jesus desejava, no ataque faltava profundidade — Talisca ocupou terrenos recuados — e apenas com remates de fora da área de Gaitán (15’) e Talisca (33’) a bola passou perto da baliza de Fabiano. Pelo meio, Jackson tinha obrigado Júlio César a uma boa defesa, mas aos 36’ Lima, com uma precisosa ajuda da defesa portista, começou a decidir o “clássico”: após um lançamento lateral de Maxi, o brasileiro surgiu livre de marcação na pequena área e inaugurou o marcador.

Foi o ponto de viragem no jogo e o princípio do fim da malapata de Jesus no Dragão para o campeonato. O golo de Lima serviu como bálsamo para os benfiquistas, enquanto os portistas começaram a jogar sobre brasas. Sem capacidade para contrariar a organização táctica benfiquista, o FC Porto começou a jogar com o coração, mas não conseguia criar reais problemas a Júlio César. Do outro lado, no entanto, havia o exorcista Lima: aos 55’, Fabiano não segurou um remate de Talisca e o 11 do Benfica fez o 0-2.

Lopetegui tentou responder com as entradas de Quintero e Quaresma, mas mesmo depois de o Benfica perder uma das suas traves-mestras (Luisão saiu lesionado aos 76’), o melhor que o FC Porto conseguiu foi ver Jackson acertar por duas vezes nos ferros.

Os fantasmas de Jesus, no entanto, já tinham sido exorcizados por Lima.

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