Serviços prisionais não deixam polícias visitar José Sócrates

Sindicato mantém visita na manhã desta quinta-feira a agentes presos. O seu ex-presidente, expulso há oito anos por críticas ao antigo governante, queria aproveitar para se reunir com Sócrates e explicar-se.

Segundo fonte judicial, são cinco as cópias de escutas envolvendo José Sócrates
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Segundo fonte judicial, são cinco as cópias de escutas envolvendo José Sócrates AFP

Os serviços prisionais recusaram o pedido de um grupo de agentes da PSP, dirigentes do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP), que pretendia esta quinta-feira visitar o ex-primeiro-ministro José Sócrates. Preso preventivamente na cadeia de Évora, Sócrates tem recebido dezenas de visitas, nomeadamente de dirigentes socialistas.

O ex-presidente do SPP, António Ramos, integra a comitiva e pretendia uma curta reunião com Sócrates que criticou em 2005 tendo por isso sido expulso da PSP. “Enviámos o anterior primeiro-ministro para Bruxelas, com certeza que mais depressa enviamos este para o Quénia", disse a uma televisão em 2005 durante uma vigília.

“Queria-lhe explicar que não o queria ofender com essas palavras. Há muito que pretendo ter essa conversa com ele, mas nunca o consegui apanhar. Agora na prisão era a melhor altura”, disse ao PÚBLICO António Ramos, admitindo a ironia da situação: “Quando era primeiro-ministro fui expulso, agora fui reintegrado e ele foi preso”. No início deste ano, após uma batalha jurídica de oito anos, o Supremo Tribunal Administrativo considerou ilegal o processo disciplinar que ditou a reforma compulsiva.

O pedido foi feito à margem de uma solicitação para visitar a cadeia e avaliar as condições em que se encontram presos dezenas de agentes. Mas o director autorizou apenas a entrada para o contacto com polícias na sala de visitas da cadeia onde os dirigentes chegam pelas 9h30 desta quinta-feira. Será este ano a quarta vez que visitam a cadeia onde se encontram muitos dos seus associados condenados. A cadeia de Évora destina-se a acolher, por questões de segurança, polícias presos preventivamente ou condenados a prisão efectiva.

Na resposta, o director da prisão, José Ribeiro Pereira, explicou que a visita foi “superiormente autorizada apenas com a finalidade de visitar os agentes da PSP detidos”, pelo que não pode autorizar agora a “pretendida reunião com o Sr. José Sócrates”.

Por outro lado, para cada recluso há uma lista de nomes de amigos e familiares autorizados a visitá-lo e Ramos não estará entre eles. Contudo, o dirigente, que já na década de 1980 lutava pela legalização do sindicalismo na PSP e agora é vice-presidente da assembleia-geral do SPP, vai tentar contornar a questão. “A cadeia é pequena. É provável que nos cruzemos e nessa altura aproveito para lhe falar”. O director não autorizou a passagem pelas celas, mas os dirigentes vão tentar que um dos ex-polícias visitados peça a Sócrates para vir falar com António Ramos à sala de visitas.  

O sindicato já esteve em Outubro nesta cadeia. Os dirigentes vão tentar agora perceber se alguns problemas detectados foram resolvidos. Verificavam-se então queixas referentes à qualidade da comida confeccionada e à falta de uma assistente social. Os reclusos criticavam ainda a inexistência de visitas de um padre. “A cadeia é muito pequena e algumas celas individuais estavam afinal a ser usadas por dois reclusos”, acrescentou António Ramos.