"Radicalismo político" de Mário Soares leva CDS a opor-se à entrega da Chave da Cidade

Vereador do CDS na Câmara de Lisboa diz que o antigo Presidente da República tem assumido "posições de incitamento à violência".

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A Câmara de Lisboa aprovou a atribuição da Chave de Honra da Cidade ao antigo Presidente da República Daniel Rocha

O vereador do CDS na Câmara de Lisboa, João Gonçalves Pereira, está contra a atribuição da Chave de Honra da Cidade a Mário Soares, dadas as “posições de radicalismo político e de incitamento à violência” que o antigo Presidente da República tem assumido.

“Em política, as palavras têm consequências e o nosso partido não deve com o seu voto concordar ou de alguma forma legitimar essas posições”, sustenta Gonçalves Pereira, numa declaração de voto da qual deu conhecimento à comunicação social.

A proposta de atribuir a Chave de Honra da Cidade ao socialista Mário Soares foi discutida na reunião camarária de quarta-feira, tendo sido aprovada com os votos favoráveis da maioria e do PSD, a abstenção do PCP e o voto contra do CDS.  

“Numa ocasião de tão grande significado, aquela em que ele comemora o seu 90.º aniversário, tenho a honra de propor que a Câmara Municipal de Lisboa delibere atribuir a Chave de Honra da cidade de Lisboa ao Dr. Mário Soares, em reconhecimento pelos serviços prestados e em louvor do seu combate pela democracia, pela cidadania, pela cultura, pela projecção de Portugal e da sua capital no mundo”, dizia o presidente do município, António Costa, naquela proposta.

Na sua declaração de voto, o vereador do CDS diz que o seu partido “reconhece o percurso e a carreira política nacional e internacional do Dr. Mário Soares (...), assim como reconhece o seu papel em defesa da liberdade e da democracia”. “No entanto”, acrescenta João Gonçalves Pereira, “o CDS-PP não pode deixar de considerar que o Dr. Mário Soares não é nos dias de hoje uma personalidade consensual, tendo assumido posições de radicalismo político e de incitamento à violência que não podem ser esquecidas”.

O eleito centrista lembra ainda, referindo-se a Carlos Lopes, José Saramago e Durão Barroso, que até hoje houve três “personalidades nacionais” agraciadas com a Chave de Honra da Cidade. Nesses casos, sublinha João Gonçalves Pereira, “estiveram em causa feitos ou obras internacionalmente reconhecidas”. O vereador termina a sua declaração de voto dizendo que “esse patamar deve ser preservado e não deve ser confundido com um aniversário pessoal ou um mero gesto político”.