Ministério Público pede 19 anos e meio de prisão para cunhado do rei de Espanha

Procuradores pormenorizam caso contra Iñaki Urdangarin e outros 13 acusados em 673 páginas. A infanta Cristina não foi acusada.

Urdangarin: a acusação pediu 19 anos e meio de prisão
Foto
Urdangarin: a acusação pediu 19 anos e meio de prisão Andrea Coma/Reuters

O Ministério Público pediu 19 anos e meio de prisão para Iñaki Urdangarin, cunhado do rei de Espanha, e 16 e meio para o seu antigo sócio, Diego Torres, no âmbito do caso Nóos.

Os dois estão num grupo de um total de 14 acusados para quem os procuradores pedem uma série de penas de prisão, que no seu conjunto somam 103 anos, por uma teia de desvios de fundos públicos (até 6,2 milhões de euros) com base numa organização sem fins lucrativos, a Nóos. Afinal, a instituição dedicada à promoção do desporto serviu para Urdangarin enriquecer. O cunhado do rei Felipe e um sócio, Diego Torres, fizeram contratos com entidades públicas, inflacionando os preços dos serviços que depois contratavam ou falsificando facturas para serviços inexistentes, numa “teia de facturação fictícia”, diz a acusação.

A mulher de Urdangarin, Cristina, não foi acusada, já que não é suspeita de qualquer crime, mas terá, juntamente com o marido, de pagar 587.413 euros, por aproveitamento ilícito dos fundos conseguidos por alegada fraude – a mulher de Torres terá, por seu lado, de pagar mais de um milhão, e enfrenta uma acusação por branqueamento.

O procurador argumenta que não há caso contra Cristina e que tudo se baseia apenas numa suspeita”, não havendo modo de provar que sabia das irregularidades fiscais da empresa. A associação Mãos Limpas, que faz parte do processo com uma acção popular, pedia uma pena de oito anos de prisão para a irmã do rei argumentando que ela era cooperadora necessária no crime de delitos fiscais. 

O procurador Pedro Horrach pede que os acusados paguem um total de 6,2 milhões de euros em responsabilidade civil pelo dinheiro alegadamente retirado através de fraude dos cofres das Baleares, Comunidade Valenciana e Madrid, e ainda 8.759.974 euros de multas (3,5 milhões dos quais de Urdangarin).

Iñaki Urdangarin é acusado de vários crimes de fraude, incluindo em concursos públicos, falsificação de documentos públicos e comerciais, crimes fiscais e branqueamento de capitais.