Resultados das escolas açorianas dividem Governo e oposição

O Governo dos Açores e os partidos da oposição têm leituras diferentes sobre os maus resultados obtidos pelos alunos da região nos exames nacionais, considerados "os piores do país".

O tema esteve esta terça-feita em discussão na Assembleia Legislativa dos Açores, na sequência de uma interpelação do deputado do PPM, Paulo Estevão, que lamenta que a Região continue na "cauda do país" nas provas finais dos 4.º, 6.º e 9.º anos de escolaridade.

"Todos os que analisam, ano após ano, os resultados obtidos pelo sistema educativo açoriano, no âmbito dos exames nacionais, ficam chocados com a dimensão e a persistência do nosso fracasso", realçou o parlamentNo seu entender, estes maus resultados resultam, em parte, da situação económica das famílias açorianas: "é difícil para os alunos que se inserem em agregados familiares muito vulnerabilizados pelo desemprego e pela miséria, obterem bons resultados escolares".

Mas o secretário regional da Educação e Cultura, Avelino Meneses, não tem a mesma leitura, criticando o "ranking" das escolas por ser pouco rigoroso e induzir em erro. "Os rankings constituem um modelo incompleto, simplista e grosseiro de avaliação das escolas, porque procedem à comparação do incomparável, e porque nem sempre consideram os mesmos factores de análise em todos os estabelecimentos de ensino", disse o governante.

Avelino Meneses admitiu que o insucesso escolar "é um flagelo" nos Açores, mas lembrou que várias escolas do arquipélago melhoraram os seus resultados e subiram na tabela do ranking nacional. O ano de 2014 evidenciou “um inequívoco progresso sobre 2013, tudo traduzido em médias mais elevadas e na ocupação de lugares mais favoráveis", realçou o titular da pasta.

A oposição responsabiliza o governo socialista de, ao longo de 18 anos de governação nos Açores, não ter conseguido inverter os maus resultados escolares.

Judite Parreira, do PSD, entende que a culpa é das sucessivas alterações nos membros do Governo, porque sempre que entra um novo secretário da Educação, "faz tábua rasa do passado e isso leva aos maus resultados".

Aníbal Pires, do PCP, responsabiliza toda a política socialista nos Açores, quer em termos educativos, quer em termos sociais, pelos maus resultados obtidos na região, acusando o Governo de ter "falhado em toda a linha".

Para Zuraida Soares, do BE, os Açores não podem aspirar a melhores resultados, quando há estabelecimentos de ensino que se queixam da "falta de materiais" e quando há alunos do 1.º escalão da acção social escolar, que "ainda não têm manuais escolares".

Mas no entender de Félix Rodrigues, do CDS-PP, foi a "política de betão" e de "centralização de alunos" em "mega-escolas", retirando-os do seu contexto social, que contribuiu para o falhanço que se vive na região.
 

   


 

   

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