Prometeu que ia ser engolido por uma anaconda mas só conseguiu ser enrolado por ela

Discovery Channel anunciou documentário onde um homem seria comido vivo por anaconda. Programa foi para o ar, mas isso não aconteceu.

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90 minutos do documentário são dedicados à caça da anaconda DR

“Da próxima vez que assistir a um programa que se chame Comido Vivo, é bom que alguém seja mesmo comido vivo”, ironizou no Twitter uma pessoa, ao mesmo tempo que outra punha uma foto de um cão a morder o dedo e a perguntar ao Discovery Channel se podia também ter direito a um programa.

Desilusão, escreve o The Independent. Um grande nada, lê-se na Variety. “É uma pena que a promessa final do programa não tenha sido cumprida”, aponta o The Guardian. As reacções ao programa multiplicam-se nos jornais e nas redes sociais com duras críticas ao Discovery Channel. O problema? O alarido que se criou no último mês em torno deste documentário de duas horas.

Intitulado Eaten Alive (Comido Vivo), a produção liderada por Paul Rosolie foi notícia no momento em que foi anunciada. Gerando uma expectativa crescente, o naturalista disse ter sido engolido vivo e ter saído para contar a história. Pequenos vídeos foram sendo revelados, antecipando momentos de grande tensão. Mas nunca, em momento algum, se disse que o homem afinal não foi nada engolido.

Pelo contrário, todas as antecipações do documentário falavam de como este tinha sido engolido e saído de dentro da anaconda. E de como ficou tudo bem também com a própria cobra, em resposta a ambientalistas e defensores dos direitos dos animais que rapidamente protestaram contra a exibição de Eaten Alive, lançando uma petição em que classificaram o acto de “nojento”.

“Vomitar uma refeição é muito stressante para o sistema interno da cobra. Não só ela não está a receber os nutrientes da sua comida, mas o processo de regurgitação rouba ácidos digestivos essenciais à cobra”, alegava a petição.

Mas vamos à história, a anunciada há um mês: Rosolie viajou com uma equipa do Discovery Channel e outros colaboradores até à floresta da Amazónia a fim de encontrar uma anaconda para a sua experiência. Usando um fato especial, oxigénio e uma corda de emergência presa ao tornozelo para poder ser puxado, Rosolie banhou-se com sangue de porco para se tornar o mais apetecível possível à cobra. No trailer vemo-lo já equipado da cabeça aos pés a deitar-se em frente à cobra e esta a reagir.

E eis o que aconteceu afinal: a anaconda de facto reage mas assim que se começa a enrolar a Rosolie num abraço mortal e a querer de facto engoli-lo, este queixa-se e pede ajuda. “O meu braço está a torcer, esta coisa vai partir”, diz o naturalista, pedindo ajuda aos seus colaboradores, que rapidamente o socorrem.

E isto acontece apenas nos últimos 30 minutos do documentário. A primeira hora e meia é dedicada à caça da anaconda e serve de suspense para o que vemos depois.

O documentário foi visto por 30 milhões de espectadores e foi um dos tópicos mais falados no Twitter.