Associação angaria fundos para comprar terrenos na Serra do Caramulo

Campanha termina a 15 de Dezembro e já conseguiu 75% da verba necessária. Financiadores ficam co-proprietários de 5,5 hectares de carvalhal.

Foto
Nelson Garrido

A Montis, Associação de Conservação da Natureza de Vouzela, lançou uma campanha de financiamento colectivo para comprar terrenos na Serra do Caramulo. Através do crowdfundig, a associação espera angariar 12 mil euros. A campanha termina a 15 de Dezembro e, de acordo com a Montis, 75% do objectivo já foi conseguido. O montante será aplicado na compra de 5,5 hectares de uma mata de carvalhos no concelho de Vouzela. A associação quer gerir a floresta de acordo com os princípios de conservação da natureza, disponibilizá-la para usufruto dos sócios e demonstrar que a biodiversidade pode ser um trunfo económico para a região.

Com esta campanha, assegura Henrique Pereira, presidente da Montis, é garantido “que os recursos disponibilizados serão diretamente aplicados na compra de terrenos”. “Quem contribuir será proprietário e guardião deste espaço de liberdade para a natureza”, sustenta. Se até 15 de Dezembro não for atingido o montante de 12 mil euros, o dinheiro já reunido é devolvido aos respectivos contribuintes.

Também um acordo com a empresa Eólica da Arada permite à Montis contar com mais um euro por cada quatro angariados na campanha.

Os terrenos estão abandonados há alguns anos. Já falámos com o proprietário que está disposto a vendê-los. O que queremos é acelerar o processo de crescimento das árvores e trabalhar no sentido de, por exemplo, diminuir as probabilidades de fogo”, explica Henrique Pereira.

O dirigente refere também que estão pensadas várias acções no que diz respeito à gestão da mata, desde a melhoria de acessibilidades, gestão de combustíveis e até produção de cogumelos ou plantas aromáticas. “Não vamos ter uma actividade extractiva, mas outras que possam permitir ter um rendimento”, justifica.

Henrique Pereira lembra que o objectivo central da Montis é a gestão de terrenos e o “retorno aos sócios”. “Não numa lógica de retorno financeiro, como por exemplo a gestão que é feita pelos  baldios, mas focados na conservação da natureza, não descurando os aspectos económicos”.

E exemplifica: “Passa a haver a possibilidade de os sócios visitarem estas áreas, facilitando o contacto direto com paisagens, plantas e animais que raramente se encontram noutro contexto. Podemos ainda dinamizar os espaços com plantação de cogumelos ou plantas aromáticas que, não sendo uma mais-valia económica, ajudam financeiramente no próprio crescimento da associação”.

Com sede em Vouzela e recentemente constituída, a Montis tem como objectivo concreto a gestão de terrenos no Interior do país. “Queremos gerir e mostrar como se faz, ao mesmo tempo que estamos a combater o problema do abandono rural”, refere o presidente da associação.
 

Sugerir correcção