Torne-se perito

Porque é que a Disney tramou as madrastas?

As famílias recompostas são o tema do primeiro congresso de madrastas, padrastos e enteados, em Lisboa, este sábado.

A família do padre Rufino Xavier reúne-se todos os domingos em Podence, Macedo de Cavaleiros
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A família do padre Rufino Xavier reúne-se todos os domingos em Podence, Macedo de Cavaleiros Paulo Pimenta

A pergunta surgiu depois de Fernando Alvim ter chegado à conclusão que era preciso falar mais sobre esse novo modelo de família que é a família recomposta.

E porque não organizar um congresso sobre o tema? Falamos de um apresentador e radialista conhecido pelo seu humor e que queria falar de um tema sério. Depois de alguns adiamentos, Alvim apresenta-se como organizador e moderador no 1.º Congresso de Madrastas, Padrastos e Enteados, onde figuras públicas e especialistas trocam impressões sobre o que é representa este tipo de relação e parentalidade, este sábado, em Lisboa.

Fernando Alvim sabe que é difícil levá-lo a sério. O seu percurso televisivo e radiofónico e os momentos em que é apenas Alvim levaram a que isso acontecesse. O objectivo do congresso não é mostrar que é capaz de se envolver com coisas sérias, mas a verdade, como o próprio confirma, é que até foi a iniciativa da sua autoria que “teve mais receptividade”.

O que levou à organização do congresso não teve origem num caso pessoal. “Não vivo essas situações mas tenho muitos amigos que as vivenciam. Por isso tive a ideia de falar do tema. Defini que temas gostava que fossem discutidos e reuni uma série de pessoas que na sua maioria experienciou essa situação para falarem”, explicou ao PÚBLICO.

Nas últimas décadas, à forma clássica de família têm vindo a juntar-se outros modelos familiares, ou, como indica o Instituto Nacional de Estatística (INE), uma “diversidade mais acentuada das formas de viver em família”. É aqui que entram as famílias recompostas. “A expressão ‘família recomposta’ refere-se a uma família em que há, pelo menos, um filho não comum a ambos os membros do casal. Trata-se de uma forma de vida familiar precedida, em regra, pelo divórcio ou separação de um dos cônjuges”. A explicação é da socióloga e investigadora Susana Atalaia e foi incluída no trabalho “Famílias nos Censos 2011: Diversidade e Mudança”, publicado este ano pelo INE.

Segundo as estatísticas mais recentes, entre 2001 e 2011, as famílias recompostas, com filhos de anteriores relações, mais do que duplicaram, passando de 2,7% para 6,6%. Há três anos, existiam mais de 105 mil casais recompostos (3,9% do total de casais no país). Cerca de 59% desses casais estavam em união de facto.

Este sábado, pelas 11h00, o Torreão Poente do Terreiro do Paço, em Lisboa, recebe este encontro onde se pretende analisar estes e outros dados e dar voz aos exemplos de pessoas que vivem nestas famílias e aos que estudam esta realidade. Naquele que é o primeiro congresso do género no país, Fernando Alvim espera que se fale de “estigmas, do que mudou nas famílias, de que forma as famílias de hoje são diferentes das de há 20 ou 30 anos”.

Assim, no sábado será possível ouvir a apresentadora de televisão Catarina Furtado falar da relação que tem com a enteada ou ainda a psicóloga Joana Amaral Dias explicar o que é isso de ser enteada. Além destes dois nomes vão integrar o painel de convidados a socióloga Anália Torres, especialista em questões da família, e advogada de direito da família Lúcia Gomes.

O artista Manuel João Vieira, o psicólogo António Alvim, a investigadora Paula Cordeiro, autora do blogue, “Vida madrasta” Ana Soares, bem como jornalistas e escritores, completam os painéis. Está ainda prevista a intervenção de elementos de famílias recompostas que já manifestaram interesse em estar presentes no encontro.

"Porque é que a Disney tramou as madrastas?" É a pergunta de arranque para se tentar chegar a conclusões sobre o que “está na origem do tom negativo ligado à expressão ‘madrasta’”, explicou Alvim. Vai haver também lugar à análise dos temas “A vida é madrasta” e “Tu não és a minha mãe”. 

A entrada para o congresso é livre. Os trabalhos podem ser acompanhados na página criada no Facebook para o evento.

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