Mais de metade dos alunos consegue aceder à Internet com telemóveis nas escolas

Entre sete países europeus, os estudantes portugueses são os segundos com maior possibilidade de acesso à Internet nas escolas, com telemóveis e smartphones.

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Adriano Miranda

Apesar de destacarem algumas restrições, 56% dos estudantes portugueses inquiridos referiram ser possível o acesso à Internet nas suas escolas, ainda que o uso sem qualquer tipo de restrição tenha sido indicado por apenas 16%. Na Dinamarca, país que surge em primeiro lugar, esta prática é referida por quase todos os estudantes.

A atenção ao uso de meios digitais móveis no quotidiano de crianças e jovens é o tema da conferência do projecto Net Children Go Mobile que se realiza na Universidade Nova de Lisboa na sexta-feira e no sábado. Além de Portugal e da Dinamarca, este projecto europeu envolveu a Bélgica, a Irlanda, a Itália, a Roménia e o Reino Unido.

O projecto europeu permitiu chegar a outras conclusões. Um quinto dos estudantes portugueses revelou, por exemplo, que os professores incentivam a colaboração com os colegas através da Internet, fora da escola, para realização de trabalhos escolares, um valor reduzido mas que, mesmo assim, é dos mais elevados entre os sete países do estudo.

Quase três quartos (73%) dos alunos portugueses adiantou ainda que recorre à Internet para fazer pesquisas para trabalhos escolares pelo menos uma vez por semana, enquanto 25% admitiu mesmo que o faz todos os dias. No entanto, a utilização de smartphones para trabalhos na sala de aulas é residual: 91% dos estudantes afirmam que nunca ou quase nunca isso aconteceu.

A utilização da internet e de telemóveis avançados para trabalhos escolares é mais promovido pelos professores do 3.º ciclo e do ensino secundário e entre os jovens de estatuto social mais elevado.

A equipa portuguesa do projecto Net Children Go Mobile entrevistou crianças e jovens e também pais e professores para perceber se existem regras e restrições no uso pessoal de telemóveis em sala de aula. No decurso do trabalho, estudantes do 2.º ciclo aproveitaram para avançar com uma sugestão, destacando as vantagens de se passar a usar tablets com acesso a todos os conteúdos curriculares, substituindo desta forma as pesadas mochilas cheias de livros que todos os dias têm que transportar.

Já os professores preferiram destacar a importância de saberem orientar os alunos para uma pesquisa crítica da informação disponível na rede, independentemente dos meios usados para aceder à internet. Apesar de designarem os alunos como “nativos digitais”, os professores lamentam as deficiências nas suas competências, uma vez que utilizam a Internet sobretudo para a comunicação com colegas e para o entretenimento.

“A escola tem um papel fundamental no desenvolvimento da literacia digital, mas o sistema educativo português ainda não oferece as respostas adequadas aos desafios colocados pela presença das tecnologias móveis e da Internt na vida dos jovens”, considera, a propósito, Eduarda Ferreira, psicóloga escolar e membro da equipa do Net Children Go Mobile. “É fundamental a partilha de casos de boas práticas, assim como a formação específica de literacia digital dirigida aos professores”, acrescenta.

Em debate nesta conferência vai estar ainda a mediação parental dos pequenos ecrãs e o lugar dos pares na socialização nas redes digitais.