PT Portugal funde PT Comunicações e Meo

PT Portugal quer reduzir custos operacionais com junção de televisão, serviços fixos e móveis numa única empresa. O Meo deixa de ser a "marca chapéu" e passa a ser a empresa que engloba toda a oferta de serviços.

O número de clientes Meo cresceu 25% no primeiro semestre deste ano
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PT Portugal deverá ir parar às mãos da Altice Pedro Cunha

A PT Portugal está a arrumar a casa. Dias antes de o presidente executivo, Armando Almeida, desvendar pormenores sobre a nova linha estratégica, a administração da empresa aprovou a fusão entre a PT Comunicações (PTC) e a Meo. Os activos da Meo vão passar todos para a PTC, mas o nome que fica é o da primeira: a sociedade passará a designar-se Meo – Serviços de Comunicações e Multimédia.

É mais um passo num processo que já tinha ditado o fim da marca TMN (em Janeiro) e em que o Meo assume total protagonismo dada a sua "relevância e notoriedade em mercado". Agora vai reunir o fixo, o móvel e a televisão, fazendo desaparecer a PT Comunicações, que tinha sido criada em 2000, pouco depois da liberalização do mercado de telecomunicações. Isto num momento em que a PT Portugal está a ser alvo de ofertas de compra dos franceses da Altice e dos fundos de investimento Apax e Bain.

“A Meo procederá a uma transferência global do seu património para a PTC, extinguindo-se a sociedade incorporada com o registo definitivo da fusão na Conservatória do Registo Comercial”, lê-se no projecto de fusão por incorporação aprovado pela equipa liderada por Armando Almeida na semana passada.

A 30 de Setembro, o Meo tinha activos no valor de 6364 milhões de euros, cerca de metade dos 13 mil milhões referentes à PTC, segundo o documento elaborado pela PT Portugal. Este refere ainda que a operação deverá produzir efeitos a contar de 1 de Janeiro deste ano no plano fiscal e jurídico.

“Perante a tendência já registada nos planos comercial e tecnológico, a manutenção de duas sociedades distintas responsáveis pela prestação do serviço fixo e móvel coloca o grupo PTP [PT Portugal] numa posição concorrencial desfavorável face a outros operadores”, justifica a operadora, explicando que a fusão vem dar seguimento a um processo iniciado em 2010 e que visa simplificar procedimentos administrativos e maximizar e optimizar recursos.

Com o “aumento sem precedentes da concorrência” no mercado português, a incorporação da Meo pela PTC vem responder “às movimentações recentes registadas no mercado nacional e que poderão determinar uma redução significativa da sua vantagem competitiva face à concorrência”, refere a PT Portugal.

A administração da PT Portugal exemplifica que “a coexistência de duas entidades jurídicas condiciona o aproveitamento do potencial de cross-selling” devido às restrições legais à partilha de base de dados. Por outro lado, a duplicação de estruturas também torna mais complexo e burocrático o processo de disponibilização de uma oferta quadruple-play (televisão, internet, voz fixa e móvel), explica a empresa.

Transmitem-se assim para a PTC todos os veículos e os quatro imóveis detidos pela Meo (em Lisboa, Porto e Albufeira), bem como uma série de marcas nacionais (como Vamos Lá, Music Box, ou Moche, entre outras) e internacionais (como Uso, ou Uzo) e dezenas de domínios (entre eles, zeinalbava.pt). Quanto aos trabalhadores, o que se refere é que “as sociedades participantes da fusão deram e darão cumprimento a todas as formalidades de índole laboral relevantes”.

Armando Almeida pretende apresentar nos próximos dias o plano estratégico da empresa, que terá na redução de custos um dos seus principais eixos. Um objectivo para o qual se pretende que contribua a fusão entre a PTC e a Meo. Esta operação, que “permitirá a obtenção de economias de escala aos mais diferentes níveis”, terá “impacto positivo na redução de custos operacionais” através da “racionalização de funções administrativas e de gestão” em áreas variadas como as vendas, a publicidade, as compras ou o suporte a clientes. Contribuirá também para a redução de custos gerais (como electricidade, água ou manutenção de edifícios, por exemplo) e custos de gestão de rede, refere o documento.

Na semana passada, num encontro com jornalistas, o presidente da PT Portugal assegurou que a operadora "não está a saldo, é forte e sólida".