Edite Estrela insinua que detenção serve para "desviar atenções" do caso dos vistos gold

João Soares, deputado do PS, diz que detenção só era aceitável “por crime de sangue em flagrante delito”.

João Soares é o nome escolhido pelo PS para fiscalizar as secretas.
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João Soares é o nome escolhido pelo PS para fiscalizar as secretas. Daniel Rocha

O deputado socialista João Soares insurgiu-se neste sábado contra a prisão de José Sócrates, considerando-a uma “perversa tentativa de humilhação”.

Nas redes sociais, alguns dirigentes socialistas começaram a reagir à notícia da detenção do ex-primeiro-ministro. Edite Estrela, dirigente nacional dos tempos da liderança de Sócrates, lançou a dúvida sob a forma de uma pergunta: "Qual a melhor forma de desviar as atenções do escândalo dos vistos gold?" Os comentários ao post da ex-eurodeputada no Facebook variam entre a concordância e o repúdio.

Por seu turno, na sua conta no Facebook, João Soares escreve: “Excepto por crime de sangue, em flagrante delito, não aceito a prisão (que 'pudicamente' designam por detenção) de um ex-primeiro-ministro como José Sócrates. É a minha opinião pessoal, só a mim vincula, vale o que vale a opinião de qualquer outro cidadão, mas é a minha opinião e fica dada com clareza e frontalidade, aqui e agora.”

O deputado socialista acrescenta que a detenção de Sócrates ao início da noite no Aeroporto de Lisboa, “com pelo menos uma câmara de TV de sobreaviso, é, antes de tudo, uma tentativa de humilhação do próprio ex-primeiro-ministro”.

“Tratando-se de uma sexta-feira à noite, é, na minha opinião, uma ainda mais perversa tentativa de humilhação. Em relação a uma personalidade como José Sócrates, por maioria de razão tendo já sido primeiro-ministro, não é admissível que se coloque sequer a possibilidade de fuga, ou obstrução à justiça”, acrescenta.

João Soares diz ainda que “se há que julgar, o que quer que seja, que se julgue rapidamente e com a isenção que se exige da justiça”.

Para o deputado, “humilhar e pré-condenar na praça pública, não”, salientando que “os efeitos perversos e de desmoralização pública de uma iniciativa judicial como esta são dificilmente avaliáveis”.

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