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A capa do guia é da autoria de Satoshi Hashimoto
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José Cardoso/Monocle

Guia de Portugal publicado pela “Monocle” com ilustrações portuguesas

José Cardoso assina as ilustrações de “Portugal: A Monocle Travel Guide”, publicação que integra a edição de Dezembro e Janeiro da revista. “Há mais na nação ibérica do que apenas sol e mar”, lê-se no editorial

Um mapa de Portugal em tons de verde, com os monumentos principais, muitas ondas e árvores, é a primeira ilustração de José Cardoso que vemos quando folheamos “Portugal: A Monocle Travel Guide”. O pequeno guia de 36 páginas integra a edição de Dezembro e Janeiro da revista britânica, já nas bancas, e esquematiza, em textos curtos e fotografias, o que de melhor há para conhecer em Portugal.

De todas as ilustrações, apenas a capa não é de José Cardoso — Satoshi Hashimoto é quem a assina. O editorial começa por sublinhar que este não é um guia com os pontos fortes normalmente associados a Portugal: “Há mais na nação ibérica do que apenas sol e mar”. Ainda que a praia — sobretudo o surf — esteja presente, de Norte a Sul, a equipa de editores aborda novos projectos de comércio, design, moda e as paisagens naturais, sem esquecer a arquitectura. Porto e Lisboa são descritas como uma mistura entre "modernidade e a grandiosidade do mundo antigo" e nem a economia é deixada de lado: há também uma menção ao crescimento de 1% da economia nacional em 2014, o primeiro desde 2008.

José Cardoso, ilustrador e designer de 30 anos do Porto, já tinha colaborado com a “Monocle” em 2012, aquando da edição dedicada à lusofonia. Dois anos depois voltou a ser convidado, algo que o surpreendeu, admite ao P3 em conversa telefónica. “Sinto-me mesmo bem a trabalhar com eles. Não sei se é uma atitude profissional típica dos ingleses, mas são mesmo cordiais e sensatos. Deixam-me mesmo à vontade para experimentar e fazer sugestões”, explicou ao P3, através do qual soube que a revista já estava nas bancas.

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José Cardoso, fotografado no Porto em 2012 Adelaide Carneiro/Arquivo

Para esta edição especial, a revista fez pedidos bastante específicos. “Em finais de Outubro perguntaram-me a disponibilidade para as três semanas seguintes, já tinham a coisa basicamente organizada”, conta o jovem. O terramoto de 1755, os pastéis de nata e a Torre de Belém foram alguns dos pedidos, para as páginas sobre Lisboa, que iniciam o guia.

À medida que as várias regiões do país são apresentadas (em falta está informação sobre os arquipélagos da Madeira e dos Açores), o trabalho do ilustrador — que conhecemos em 2012 aquando da sua greve de fome por um trabalho — vai aparecendo em pequenos pormenores. Doçaria conventual e cortiça no Alentejo, o cão de água e as típicas açoteias no Algarve, as tripas à moda do Porto e o vinho verde do Minho são alguns dos pormenores. Na última página, um roteiro nacional em seis desenhos: dos mercados tradicionais de frescos aos ovos moles aveirenses, há ainda tempo para a saudade do fado e passeios pela natureza — a Costa Vicentina aqui em destaque.

Desde 2012 que a “Monocle” tem dado destaque a Portugal: depois da “Geração Lusofonia” ter surgido na capa de uma das edições, foi a vez de a loja Vida Portuguesa participar no seu mercado de Natal. Já em Abril de 2014, ficámos a saber que Portugal está entre os dez maiores mercados da revista de culto, com menções ao presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, e a fábricas nacionais.