O pai da blogosfera iraniana saiu finalmente da prisão

Hossein Derakhshan foi preso em 2008 na capital iraniana, por suspeitas de ser um espião ao serviço de Israel.

“Agradeço a Deus. Estou muito agradecido ao ayatollah Khamenei”, disse
Foto
“Agradeço a Deus. Estou muito agradecido ao ayatollah Khamenei”, disse Hossein Derakhshan DR

O blogger canadiano-iraniano, detido em 2008 e condenado dois anos depois a 19 anos e meio de prisão por “espalhar propaganda, insultar o islão e cooperar com países hostis”, foi perdoado pelo guia supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei. “Estou livre depois de seis anos”, escreveu Hossein Derakhshan na sua página do Google +. “Agradeço a Deus. Estou muito agradecido ao ayatollah Khamenei”, disse, agradecendo ainda à família e a todos os que o apoiaram e lutaram pela sua libertação.

Derakhshan, hoje com 39 anos, é considerado o pai da blogosfera iraniana, em tempos uma das mais vibrantes do mundo, por ter publicado as instruções para criar um blogue em farsi. Nascido em Teerão, trabalhou como jornalista no seu país até se mudar para Toronto, em 2000.

O blogger foi preso em 2008 na capital iraniana, por suspeitas de ser um espião ao serviço de Israel. Segundo os media iranianos, tinha publicado críticas ao Governo e visitado Israel em 2006 – Teerão não reconhece o Estado hebraico e os iranianos estão proibidos de viajar até lá.

Em 2005, na campanha que acabou por dar a primeira vitória ao conservador Mahmoud Ahmadinejad, que ficou na Presidência até ao ano passado, Derakhshan regressou ao seu país depois de uma ausência de dois anos e falou ao PÚBLICO. Na altura, dizia-se confiante na juventude do país e acreditar na possibilidade de reformas reais. Apesar da censura, dizia, a Internet tinha feito daquela eleição “uma das mais abertas e transparentes” que o país já vira.

A vitória de Ahmadinejad foi uma surpresa para a maioria dos analistas, aos quais tinha escapado que o candidato contava com o apoio de grande parte da hierarquia religiosa do país.

Entretanto, muito aconteceu no Irão. Derakhshan não pôde assistir às gigantescas manifestações de 2009, quando centenas de milhares de iranianos saíram à rua para denunciar a vitória, que consideraram fraudulenta, de Ahmadinejad contra os candidatos reformistas Mir-Hossein Moussavi e Mehdi Karoubi, em prisão domiciliária desde 2011, na maior vaga de protestos desde a fundação da República Islâmica, em 1979. 

Derakhshan também não viu os iranianos festejarem a vitória do Presidente Hassan Rohani, eleito em Junho do ano passado com o apoio de muitos jovens que querem ver reformas no país.

Paradoxalmente ou talvez não, desde esta eleição que a situação dos direitos humanos, particularmente das mulheres, não tem melhorado. Um comité da Assembleia Geral da ONU adoptou na terça-feira uma resolução a condenar a situação dos direitos humanos no país e a pedir ao Governo de Rohani que cumpra as suas promessas de reformas.