Draghi diz que é essencial aumentar a inflação “tão depressa quanto possível”

Presidente do BCE diz que a instituição está disponível para ajustar o ritmo e a intensidade das suas intervenções na economia da zona euro.

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Mário Draghi, presidente do BCE Daniel Roland/AFP
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Mário Draghi é o presidente do BCE YURI GRIPAS/reuters

O presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, garantiu esta sexta-feira que a instituição continua empenhada em controlar a inflação na zona euro e em estimular o crescimento da economia. Para isso, não hesitará em ajustar o ritmo e a intensidade do recurso aos instrumentos que tem à sua disposição.

“É essencial aproximar a inflação [da zona euro] do seu objectivo tão depressa quanto possível”, e, por isso, o BCE recorrerá a “todos os meios que tem à disposição, no quadro do seu mandato”, afirmou esta sexta-feira Mário Draghi, durante uma conferência em Frankfurt.

“Estamos prontos para, sem demora, recalibrar a amplitude, o ritmo e a composição da nossa compra de activos, se necessário”, garantiu o responsável da autoridade monetária da zona euro, citado pela AFP.

Mário Draghi alertou ainda que, além do papel da política monetária na economia, “outras políticas podem participar neste processo ou, pelo menos, não o travar”, desafiando os governos da zona euro a acelerar o ritmo das reformas estruturais.

“Os indicadores [de expectativas de inflação] têm-se degradado para níveis que considero excessivamente baixos”, sublinhou Draghi, declarando ser “essencial que o BCE continue a agir para colocar a inflação próxima dos 2%”. Em Outubro, a evolução dos preços na zona euro acelerou-se ligeiramente para 0,4% (depois de a inflação ter atingido 0,3% em Setembro), mas continua longe do objectivo do BCE.

Desde Setembro, o BCE tem mantido a sua taxa directora (a taxa de juro a que o BCE empresta dinheiro aos bancos) em 0,05%, o nível mais baixo de sempre. Além disso, o banco central começou a comprar obrigações hipotecárias aos bancos. Existe a expectativa de que a autoridade monetária tenha uma intervenção mais vasta e comece a comprar os chamados "ABS", títulos constituídos a partir de pacotes de crédito bancário a empresas, uma possibilidade que pode ocorrer a partir desta sexta-feira.