A fotografia chegou ao Pompidou e ao Rijksmuseum

Uma retrospectiva de Jacques André-Boiffard inaugura a galeria permanente de fotografia do Pompidou.

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Renée Jacobi, 1930, por Jacques André Boiffard Cortesia: Centre Georges Pompidou/Mme Denise Boiffard

Pelo seu caminho passaram importantes nomes da arte e das letras do início do século XX, em particular os que marcam a aventura surrealista. Estão lá André Breton e Paul Éluard, mas também Georges Bataille e Roger Vitrac. Com uns colabora apenas, mas do fotógrafo e pintor norte-americano Man Ray torna-se assistente em estúdio e em rodagem.

Com tudo isto é de estranhar, faz notar no seu site o Centro Georges Pompidou, que Jacques-André Boiffard nunca tenha sido objecto de uma retrospectiva. Para corrigir a “injustiça”, o museu parisiense consagra-lhe agora, e até 2 de Fevereiro, a exposição inaugural da sua galeria permanente de fotografia. Um espaço a que deverão seguir-se “congéneres” na área do design e da arquitectura. Como? Abrindo áreas que até agora permaneciam ocupadas por serviços, explicou à publicação especializada Journal des Arts o presidente do Pompidou, Alain Seban.

“Esta transformação de espaços de escritórios em galerias reflecte a minha política de devolver ao público o máximo de área [possível] dentro do edifício desenhado por Richard Rogers e Renzo Piano”, disse Seban, lembrando as limitações físicas do museu, que lhe permitem expor apenas 2% da sua vasta e riquíssima colecção. Ocupar escritórios é mesmo o que lhe resta fazer se quer aumentar o espaço expositivo já que, ao contrário do que aconteceu com o homólogo americano – o MoMA, de Nova Iorque –,  o Pompidou não pode crescer na praça que hoje ocupa.

Mas esta aposta na fotografia, na arquitectura e no design reflecte, também, uma tendência dos grandes museus. No que toca à primeira, por exemplo, o renovado e ambicioso Rijksmuseum, em Amesterdão, também não quer ficar para trás. A recém-inaugurada Ala Philips, que no projecto do atelier de arquitectura espanhol Cruz e Ortiz é inteiramente dedicada a exposições temporárias, foi inaugurada com uma amostra da sólida colecção de fotografia do século XX deste museu nacional da Holanda. Entre as 400 fotografias expostas é possível ver registos da ocupação nazi, curiosas experiências com máquinas voadoras através da lente elegante de Jacques Henri Lartigue, a campeã de mergulho Marjorie Gestring suspensa da câmara de John Gutmann e uma lânguida e sempre sedutora Marilyn Monroe a uma mesa de jogo na rodagem de Os Inadaptados, como só Eve Arnold poderia apanhá-la.

Embora esta ala não fique consagrada em exclusivo à fotografia, ao contrário do que se passa no Pompidou, é bem provável que seja presença assídua, garante a direcção do Rijksmuseum.