Jessica Rinaldi/Reuters
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Harvard fotografa salas para saber quem vai às aulas (e sem aviso prévio)

Universidade admite ter fotografado, sem consentimento prévio, dois mil dos seus alunos em dez anfiteatros. A ideia era avaliar a assiduidade dos estudantes

Como parte de um estudo sobre a assiduidade dos estudantes, a Universidade de Harvard colocou câmaras fotográficas em dez anfiteatros — mas sem consultar a comunidade académica sobre o assunto. A revelação aconteceu durante uma reunião universitária, no início da semana passada. Harry Lewis, professor de Ciências de Computadores, questionou o vice-reitor para os avanços na aprendizagem Peter Bol sobre a iniciativa e este confirmou.

De acordo com o jornal norte-americano “Boston Globe”, os aparelhos terão sido instalados na última Primavera no âmbito de um estudo da “Harvard Initiative for Learning and Teaching”, que Bol dirige. “As câmaras tiraram uma fotografia a cada minuto e um programa informático analisou as imagens para contar quantos lugares estavam vazios e quantos estavam ocupados durante as aulas”, pode ler-se no artigo assinado por Matt Rocheleau.

Os nomes das aulas monitorizadas não foram revelados, mas sabe-se que terão sido cerca de dois mil os alunos fotografados. “Só porque a tecnologia pode ser usada para responder a uma questão não quer dizer que o deva ser”, defendeu Harry Lewis, em declarações ao jornal de Harvard “Crimson”. “Só se devem fazer estudos com o consentimento das pessoas que são estudadas.”

A mesma publicação avançou ainda que o vice-reitor Bol enviou um e-mail “a todos os estudantes das aulas envolvidas no estudo sobre o facto de terem sido fotografados”. Bol garantiu ainda que essas imagens “foram destruídas subsequentemente”.

Segundo Brett Biebelberg, membro de uma associação académica de Harvard, em declarações ao “Boston Globe”, considerou, esta situação de vigilância “particularmente perturbadora”, uma vez que ocorreu “não muito tempo após a universidade ter anunciado que ia garantir a privacidade dos seus estudantes e corpo docente e não docente”.

Esta não é a primeira vez que a Universidade de Harvard é acusada de invadir a privacidade de alunos e professores. Em 2013 soube-se que milhares de contas de e-mail ligadas à instituição terão sido vasculhadas por administradores.