Chefe de missão do FMI diz que Governo está a adiar resolução do problema orçamental

Subir Lall mostra-se surpreendido com o colapso do BES e com a descida da taxa de desemprego.

Subir Lall, chefe da missão do FMI em Portugal
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Subir Lall esteve em Portugal em Abril para a consulta do Artigo IV Nuno Ferreira Santos

A dívida pública continua a um nível muito elevado e os números da proposta de Orçamento do Estado apresentada pelo Governo mostram que o esforço de consolidação abrandou, adiando-se a resolução do problema, defende o chefe de missão do FMI para Portugal.

Numa entrevista publicada esta segunda-feira pelo Jornal de Negócios, Subir Lall assinala que “o excedente primário estrutural reduz-se no próximo ano, e isto quer dizer que o esforço de consolidação orçamental abrandou”. Para este responsável este facto é preocupante, tendo em conta que “a dívida pública ainda permanece muito elevada e tem de ser reduzida”.

Questionado sobre se o Governo está a adiar o problema, Lall responde: “Olhando para o esforço estrutural que é necessário no médio prazo, diria que está a adiar”.

Na entrevista, o responsável da equipa do Fundo que esteve no final de Outubro e no início de Novembro em Lisboa para proceder à primeira monitorização após o final do programa da troika mostrou surpresa em relação a dois acontecimento: o colapso do BES e a diminuição da taxa de desemprego.

Em relação ao BES, Subir Lall defendeu-se quando questionado como foi possível ter o BES em situação de falência após três anos de troika em Portugal. “Nós não somos supervisores e mesmo os supervisores nem sempre conseguem detectar casos de fraude, se foi isso que aconteceu”. Ainda assim notou que a estabilidade financeira “permaneceu salvaguardada”, afirmando que foi para isso que a linha de financiamento da troika para a capitalização da banca foi criada.

No que diz respeito ao mercado de trabalho, Subir Lall disse que ainda não é possível perceber em que medida é que as políticas activas de emprego contribuíram para uma redução do número de desempregados. “Penso que ninguém ainda percebeu muito bem como é que a taxa de desemprego está a baixar”, disse.