Editorial

Depois do 9-N, o que será a Catalunha?

A votação foi simbólica, mas o simbolismo foi tal que dificilmente o resultado será inconsequente.

O boletim de voto tinha duas perguntas: “Quer que a Catalunha seja um Estado?” e, nesse caso, “Quer que a Catalunha seja um Estado independente?”. Muito chegavam às mesas de voto com o boletim já preenchido, e segundo contava neste domingo a enviada especial do PÚBLICO à Catalunha, a grande maioria dos boletins que se viam nas mãos das pessoas tinha uma cruz nos dois quadrados do “sim”. Em tudo pareceria uma votação normal, não fosse esta uma votação que foi proibida pelo Governo central em Madrid e pelo Tribunal Constitucional.

Por isso é que Mariano Rajoy disse: “Chamem a isto o que vocês quiserem, mas isto não é um referendo, não é uma consulta, e não é nada que se assemelhe a isso.” A verdade é que se não era, assemelhava-se bastante; com um pequena nuance técnica: por não ter sido autorizado pelo Constitucional, não havia uma lista prévia de eleitores. À medida que iam chegando eram acrescentados a uma lista. Ao final do dia, e tal como se antecipava, foram mais de dois milhões os que participaram na votação.

Uma votação que o Governo de Rajoy afirmou tratar-se de um “exercício antidemocrático e inútil, que não terá efeitos jurídicos”. Do outro lado, dos independentistas, também se usava a palavra democracia: “É a nossa tentativa de ser democratas num Estado que não respeita a democracia.”

O que resta agora saber é que o vai acontecer a partir do 10-N, ou seja, a partir desta segunda-feira. Ou seja, que consequências terão os resultados? Se é que irão ter alguma. Mesmo sendo uma votação simbólica, o simbolismo foi tão evidente que provavelmente Artur Mas terá ganho o direito de negociar com Madrid uma maior autonomia a nível da política e dos impostos. Ou Mas terá mesmo conseguido pavimentar o caminho que o levará à realização de um referendo, este, sim, a valer.