Quinze minutos de fama, uma ova. Chamem-me #AlexFromTarget

Funcionário de uma das maiores cadeias de supermercados dos EUA é o mais recente caso de fama súbita na Internet. Tudo o que fez foi aparecer numa fotografia a ensacar mercearia.

“Eu sou famoso agora?”, perguntou Alex no Twitter
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“Eu sou famoso agora?”, perguntou Alex no Twitter DR

Há muito que as grandes editoras discográficas, os glamorosos estúdios de cinema, os impérios de televisão e os lendários recintos desportivos deixaram de ser os únicos capazes de produzir superestrelas da noite para o dia. Com a massificação da Internet e a ajuda de ferramentas como as redes sociais, a acção descentralizada de um grande número de cidadãos comuns é suficiente para criar um fenómeno global de popularidade. Veja-se o recente caso de Alex.

Quando foi fotografado numa loja Target, Alex estava a fazer o que lhe pagam para fazer: ensacar as compras dos clientes daquela cadeia de supermercados, a segunda maior dos EUA. Como dizem os norte-americanos, “minding his own business”. Vestia o uniforme da loja, umas calças caqui e uma t-shirt vermelha com um crachá ao peito, onde se lia o seu nome. E era só.

No entanto, quando a fotografia foi publicada no Twitter, no domingo, a mole de cibernautas adolescentes que usa a rede de microblogging rapidamente propagou a imagem “até ao infinito e mais além” (como diria uma personagem — Buzz Lightyear — do tempo em que o monopólio da cultura pop ainda subsistia nas mãos de poucos). Usando, para isso, a hashtag #AlexFromTarget — isto é, “Alex da Target”; não havia, e não há, muito mais informação.

A fotografia chegou ao Twitter pelas mãos de @auscalum, segundo o Mashable, embora a utilizadora, que agora tem os seus tweets “protegidos” de olhares indesejados, tenha negado ser a autora da imagem. Seja como for, o rosto jovem de Alex rapidamente se transformou no novo protagonista preferido de produtores e consumidores de “memes”, imagens com mensagens de tom irónico e/ou humorístico muito comuns e prolíficas online.

Uma das fotografias que mais circula na Internet neste formato é a de um bebé norte-americano, Sam Griner, de punho fechado e ar conquistador, que foi originalmente tirada na praia, em 2007, pela mãe, a fotógrafa Laney Griner, e publicada no Flickr. A partir daí, ganhou autonomia e fez de Sam o protagonista dos memes “I Hate Sandcastles” e “Sucess Kid.

Sam tinha, na altura, 11 meses. Hoje tem oito anos — e já deu a cara a um punhado de campanhas publicitárias, graças à sua fama digital. De Alex nem a idade se lhe conhece ainda. Tudo o que há é uma conta no Twitter, que se autoproclama como “oficial”, e onde o alegado Alex, anteriormente conhecido como mais-um-anónimo, reagiu: “Eu sou famoso agora?”

PÚBLICO -
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Sam Griner, de punho fechado e ar conquistador DR

O número de seguidores de Alex no Twitter disparou e já ultrapassou o meio milhão. “Tantos seguidores”, entusiasmou-se o jovem na segunda-feira, depois de ter anunciado que iria ter de mudar de número de telefone e de ter denunciado as contas falsas criadas em seu nome naquela rede. Pelo meio, foi partilhando fotografias com ele publicadas por amigos.

Uma porta-voz da Target, Molly Snyder, mostrou-se surpreendida com a fama instantânea de Alex, que dura há bem mais do que os 15 minutos vaticinados por Andy Warhol para “toda a gente”, no final dos anos 1960 (embora, imagina-se, o período não fosse para levar à letra). “Estamos orgulhosos de ter uma grande equipa, incluindo o #AlexFromTarget, e estamos em contacto com a loja dele e a sua família”, disse à Mashable, numa toada corporativa.

O fenómeno foi gerado no Twitter, mas espalhou-se a redes como o Facebook, o Vine ou o Tumblr. E, em poucos dias, está a forçar um outro personagem — o #JakeFromStateFarm, que também veste calças caqui e t-shirt vermelha no trabalho (a State Farm é um grupo norte-americano de seguros e serviços financeiros). Tal como Agatha Christie se cansou de Poirot e impôs a presença de Miss Marple‎ nas suas histórias, também os cibernautas o fazem com Alex.

Falta saber, todavia, se Jake é personagem real ou rosto de uma campanha de marketing de guerrilha, um tipo de promoção que ao longo dos anos tem recorrido a "memes" e aproveitado estes fenómenos digitais em seu favor. E falta saber o que fará Alex daqui para a frente. Talvez seja promovido. Ou talvez continue a ensacar mercearias. O mais provável é que essa informação chegue com o resto da história do jovem.