Funcionários da PJ que trabalhavam no Citius refutam acusações de sabotagem

Garantem ter feito apenas o que lhes foi "pedido e ordenado" e alegam que os resultados desse trabalho só podem ser "considerados muito positivos".

Foto
O Ministério da Justiça está sem dados estatísticos fiáveis sobre o andamento e a pendência dos processos nos tribunais desde 2014 FERNANDO VELUDO/NFACTOS

Os dois funcionários da PJ que estiveram em comissão de serviço no Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos de Justiça (IGFEJ) refutaram esta segunda-feira as acusações de terem ocultado informações sobre a plataforma informática da Justiça, o Citius.

O inquérito aberto pela Procuradoria-Geral da República averigua a alegada sabotagem do sistema no seguimento do relatório do IGFEJ que os aponta como suspeitos. Os tribunais estiveram paralisados 44 dias por via do bloqueio do sistema.

Em comunicado enviado à Lusa, Hugo Tavares e Paulo Queirós asseguraram que, "enquanto dirigentes no IGFEJ, desempenhando funções, respectivamente, como director e como coordenador do Departamento de Arquitectura de Sistemas, executaram, em coordenação com as demais entidades e responsáveis do referido IGFEJ, o que lhes foi pedido e ordenado".

Os dois afirmaram a "convicção” de que “o trabalho desempenhado e as respectivas circunstâncias de desempenho haviam sido consideradas mais do que suficientes, no que ao seu departamento respeitou".

Os elementos da PJ, afastados por deliberação do conselho directivo do IGFEJ sob tutela do Ministério da Justiça (MJ), sublinharam que "não faltarão, provavelmente, testemunhas" para "comprovar os factos ocorridos" no período em que participaram na adaptação do Citius ao novo mapa judiciário.

"A forma como o projecto foi levado a cabo encontra-se profusamente informada e documentada no MJ, cujos responsáveis, não duvidamos, fornecerão a totalidade da documentação nos processos que desencadearam e noutros que poderão vir a ter lugar", salientam.

Esclarecem ainda que "os pormenores" quanto aos factos "deverão ficar em breve clarificados por via da divulgação dos resultados dos inquéritos em curso, para cuja celeridade se desencadearão todos os mecanismos ao dispor, de forma a que os meios de execução de justiça agora em curso não possam ser usados como instrumentos de política menor, mais do que até aqui já o foram".

Ambos sublinham ainda ter colaborado “como especialistas” produzindo resultados que só ser “considerados muito positivos". Na PJ, porém, nunca foram técnicos informáticos. Voltaram, aliás, como funcionários administrativos.