Processo de paz relançado na Birmânia

O grande teste a esta fase das reformas é a alteração constitucional que permitirá a Aung San Suu Kyi candidatar-se à presidência.

O Presidente Thein Sein e Suu Kyi
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O Presidente Thein Sein e Suu Kyi Aung Myin Yezaw/Reuters

Os líderes políticos, militares e étnicos da Birmânia concordaram esta sexta-feira em trabalhar em equipa para reformar o sistema político do país de forma a que as eleições gerais de 2015 sejam credíveis e históricas.

Num encontro em Naypyitaw (a capital do país), o Presidente Thein Sein juntou as chefias militares (que sustentam o seu Governo), os dirigentes da oposição e representantes dos grupos étnicos. Foi a primeira vez que uma reunião deste género teve lugar na Birmânia e permitiu também que o poderoso chefe das Forças Armadas, general Min Aung Hlaing, se encontrasse com a líder da oposição, Aung San Suu Kyi.

A reforma do sistema político e a pacificação da sociedade birmanesa foi o ponto de partida do encontro, que teve como objectivo abrir caminho às mudanças que ainda falta fazer para que as eleições do ano que vem sejam democráticas, num país que, durante décadas, foi dominado pelos militares.

Algumas vozes críticas, citadas pela agência Reuters, disseram que o encontro foi ele próprio histórico mas que deve ser recebido com cautela, porque noutras ocasiões o Governo (e os militares) anunciaram passos em frente que, depois, não foram concretizados. Alguns consideram que este encontro pode não passar de uma encenação para agradar a Barack Obama, que estará na Birmânia em Novembro - antes da reunião, o Presidente dos Estados Unidos telefonou a Thein Sein para lhe dizer que as eleições de 2015 têm que ser "inclusivas".

O grande teste às intenções do Governo e das chefias militares prende-se com Aung San Suu Kyi, que foi eleita deputada em eleições intercalares mas que está proibida pela Constituição de ser candidata às presidenciais. Suu Kyi é a dirigentes histórica da oposição. O seu partido venceu as eleições de 1990 com 59% dos votos, mas logo de seguida foi detida e esteve em prisão domiciliária durante quase 15 anos. Libertada em 2010, foi eleita deputada em 2012, e acedeu ao pedido de Thein Sein para ocupar o lugar para que foi eleita, legitimizando dessa forma o processo de reformas iniciado pelo Presidente.