TAP assegura apenas 26% dos voos para segundo dia de greve

Ainda há 2500 passageiros sem voos assegurados para a paralisação deste sábado.

Esta é a segunda vaga de greves que a TAP enfrenta no espaço de três meses
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Esta é a segunda vaga de greves que a TAP enfrenta no espaço de três meses Pedro Nunes

No segundo dia da greve dos tripulantes, a TAP conseguiu assegurar apenas 26% dos voos, ou seja, 56 ligações de um total de 212. A empresa informou, em comunicado, que garantiu a realização de 135 ligações, mas 79 destas são operadas pela Portugália, a transportadora aérea regional que faz parte do grupo mas que não será afectada pela paralisação. No entanto, isto não significa que haverá 156 cancelamentos, visto que o número dependerá da adesão dos trabalhadores aos protestos.

“A TAP tem assegurada previamente a realização de 135 voos de um total de 291 voos programados” para este sábado, refere o comunicado. Excluindo as ligações operadas pela Portugália, contabilizadas pelo PÚBLICO com base na programação prevista para este dia, a TAP efectuaria 212 voos se não houvesse greve. A companhia conseguiu transferir parte dos seus passageiros para a Portugália, mas analisando apenas as ligações que opera directamente, conclui-se que quase 74% da operação será afectada pela paralisação, caso a adesão seja total, o que não aconteceu no primeiro dia dos protestos, na quinta-feira.

Havia 30 mil passageiros com reservadas marcadas para este sábado, mas uma parte substancial conseguiu reprogramar as viagens. Contactada pelo PÚBLICO, a TAP não esclareceu quantos alteraram os voos. A companhia refere, no comunicado, que ainda há 2500 passageiros que não conseguiu contactar para colocar em voos fora do período da greve. Esta situação deve-se ao facto de não terem efectuado as reservas através da transportadora aérea, mas sim de agências de viagens.

Dos 27.500 passageiros que têm voo assegurado, há uma parte importante que se deve aos serviços mínimos definidos pelo tribunal arbitral do Conselho Económico e Social. Para este sábado, foi declarada obrigatória a realização de duas ligações (ida e volta) entre Lisboa e o Funchal, São Paulo e Caracas, bem como um voo que liga a capital ao Pico e à Terceira. Há ainda uma fatia de clientes que conseguirá viajar nas frequências de regresso de aeroportos estrangeiros (que não são afectados pelas greves). E, havendo 79 voos da Portugália imunes à paralisação, outra parte voará por esta companhia regional.

Esta greve, que começou na quinta-feira e está ainda marcada para 30 de Novembro e 2 de Dezembro, foi convocada para exigir que a companhia cumpra o acordo de empresa. O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil reclamava ainda a reposição das anuidades, vedada desde que o Orçamento do Estado passou a proibir valorizações salariais.

O sindicato alega que a administração da TAP, liderada por Fernando Pinto, não respondeu aos apelos de diálogo. E o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, também não conseguiu demover o sindicato dos tripulantes de avançar com os protestos, numa reunião que decorreu na quarta-feira, onde também foi abordado o tema da privatização da companhia, que o Governo ainda não decidiu se irá relançar.

No primeiro dia de greve, na quinta-feira, a transportadora aérea foi obrigada a cancelar 145 voos e das 175 ligações que conseguiu realizar, 84 foram operadas pela Portugália. Ou seja, contabilizando apenas os voos da TAP, mais de 61% da operação foi afectada pela paralisação dos tripulantes. Havia 25 reservas efectuadas e quatro mil passageiros não tinham voo assegurado, mas a empresa assegurou que a maioria destas situações foi resolvida no próprio dia.

Depois de um Verão atribulado, com sucessivos problemas técnicos e cancelamentos, a companhia enfrenta a segunda vaga de greves em apenas três meses — os pilotos também pararam a 9 de Agosto. O sindicato que representa os tripulantes já não entrava em greve desde finais do ano 2000, apesar de ter feito várias ameaças de paralisação que nunca se concretizaram.