Directores deixam Banco de Portugal para serem sócios da PwC

Luís Costa Ferreira e Pedro Machado entram em Janeiro para a PwC, a consultora que está a auditar o Novo Banco.

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O advogado do BdP, Luís Bigotte Chorão, referiu a "estratégia de ocultação" seguida pelos responsáveis da instituição

O director e o director-adjunto do Departamento de Supervisão Prudencial do Banco de Portugal, Luís Costa Ferreira e Pedro Machado, vão sair do supervisor da banca e, a partir de Janeiro, serão sócios da consultora PwC. A renúncia aos cargos que desempenhavam foi anunciada nesta quinta-feira pela entidade liderada por Carlos Costa.

É a PwC quem está a conduzir a auditoria ao Novo Banco, ajudando a construir o balanço da instituição que nasceu da intervenção do Banco de Portugal, onde os responsáveis pela supervisão tiveram um papel fundamental. O regulador acabou por intervir no BES, dividindo a instituição em duas, nascendo assim o banco agora liderado por Stock da Cunha. De acordo com um comunicado enviado pela PwC ao início da noite desta quinta-feira, os dois responsáveis vão reforçar “a área de Business Consulting da PwC Portugal, no âmbito da estratégia de crescimento e aposta na consultoria a instituições financeiras”. A consultora diz acreditar “que as alterações no sector decorrentes da entrada do em vigor do Mecanismo Único de Supervisão, que prevê a supervisão prudencial directa pelo BCE das instituições de crédito significativas, criam grandes oportunidades na área da regulação dos serviços financeiros. Adquirir competências e skills únicos irá permitir liderar este sector”. Já o conselho de administração do regulador diz que tomou conhecimento “dos pedidos de desvinculação ao Banco de Portugal apresentados pelo director e director-adjunto do Departamento de Supervisão Prudencial (DSP), Dr. Luís Costa Ferreira e Dr. Pedro Machado, fundamentados na intenção de desenvolverem novos projectos profissionais", segundo se lê num curto comunicado emitido pelo banco central.

Em Setembro, houve uma alteração relevante na área de supervisão prudencial do Banco de Portugal ao nível do Conselho de Administração, com António Varela a assumir o pelouro que estava, até então, sob a égide do vice-governador Pedro Duarte Neves.

António Varela foi o administrador não executivo do Banif indicado pelo Estado no âmbito da injecção pública de mais de mil milhões de euros no capital do banco.

Já o ex-secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, entrou ao mesmo tempo que Varela para a administração do supervisor da área financeira, ficando responsável pela "promoção de sinergias nas áreas da gestão interna, através da atribuição dos pelouros de recursos humanos, serviços administrativos e sistemas de informação".

Os dois novos administradores do Banco de Portugal foram indicados pelo Governo para substituírem José Silveira Godinho e Teodora Cardoso, que tinham cessado funções.