Menos Marx, mais Mises

Os constantes casos de corrupção e promiscuidade em que “quem se lixa é o mexilhão” (entenda-se, o contribuinte) só reforçam a ideia de que um Estado obeso é um Estado mais facilmente capturável

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Osman Orsal/Reuters

Desde o rescaldo da crise de 2008, tornou-se costumeiro culpar o mercado por todos os males do universo. O Instituto Ludwig von Mises Portugal (IMP) quer testar esses mitos.

"Vivemos em anarco-capitalismo", disse muito recentemente a presidente argentina Cristina Kirchner. Passando ao lado da enorme ignorância (propositada ou não) que esta afirmação revela (tanto ao nível da Economia como da Ciência Política), não se pode deixar de notar que é uma "verdade" mais ou menos aceite: a que há uma plena desregulação económica e financeira. Os governos, claro, usam este "papão" para desviar atenção das suas políticas falhadas, dos seus gastos irresponsáveis, e do futuro que hipotecam aos mais jovens enquanto prometem "amanhãs que cantam". Mas e nós? Temos desculpa para aceitar estas verdades que roçam a crença?

O IMP nasce para desfazer estes e outros mitos. Podemos até enumerar alguns: o de que a culpa é do "liberalismo" - como se um Estado que gasta entre 40 a 50% do que produz pudesse ser considerado sequer remotamente liberal; o mito de que foram as desregulações que nos trouxeram até aqui — mito já desmontado nos Estados Unidos pelo Mercatus Center da prestigiada George Mason University que demonstrou que o número de regulações federais aumentou 18 vezes desde os anos 50; o mito de que os mercados financeiros têm um "free pass", quando na verdade há uma instituição governamental (o banco central) que manipula as taxas de juro, i.e., o "preço" do crédito, sendo o sistema bancário regulado exaustivamente – por exemplo através dos Acordos de Basileia e, claro; sem esquecer o mito preferido dos portugueses: o do que este governo é liberal (ou “neoliberal”, termo que qualquer dia é usado como insulto a árbitros nos jogos das distritais), enquanto nos impõe uma carga fiscal asfixiante e apoia políticas inomináveis como a lei da cópia privada.

O Instituto Ludwig von Mises Portugal, do qual sou vice-presidente, começa já no próximo dia 1 de Novembro a desmistificar alguns destes pontos. Na Universidade Católica Portuguesa, Centro Regional do Porto, vai organizar a "Call for Liberty: II Conferência do Liberalismo Clássico", onde serão debatidos temas como a legalização das drogas, as finanças públicas indígenas, ou a promissora Bitcoin e as “criptomoedas”.

Mas o IMP não vai parar por aqui, e este trabalho não está a ser feito sozinho: nota-se um pouco por todo o mundo, com o exemplo da própria "Forbes". O caminho é longo e precisa de ser trilhado. Além de conferências, este "think-tank" vem produzindo investigação científica e literatura diversa, organizando também tertúlias para dar a conhecer à sociedade civil as ideias da Escola Austríaca de Economia, assim como o verdadeiro liberalismo (sem o “neo” antes da palavra): o Liberalismo Clássico.

Portugal há muito que precisa de uma defesa assertiva do valor "Liberdade". Séculos de estatismo corporativista comprovam-no. Um país com uma dívida pública a rondar os 130% do PIB, cuja história das Finanças Públicas portuguesas é a "história do défice", e que conseguiu o "feito" de ter três intervenções externas em 40 anos, é um exemplo falhado da acção Estatal. Os constantes casos de corrupção e promiscuidade em que “quem se lixa é o mexilhão” (entenda-se, o contribuinte) só reforçam a ideia de que um Estado obeso é um Estado mais facilmente capturável. E não, nada muda se pusermos lá "os tipos certos". Lord Acton deixou-nos uma máxima que devia acompanhar todos os que querem pensar o papel do Estado: "O Poder tende a corromper; o Poder absoluto corrompe absolutamente".

Quer ouvir uma defesa livre e descomprometida do mercado livre, através da perpectiva dos liberais de tradição austríaca? É fácil. “Eles andam aí.