Editorial

50 milhões versus 50 milhões

Depois de um grande susto e angústia prolongada, Dilma Rousseff ganhou e é de novo Presidente do Brasil.

Ganhou de forma sofrida e por uma margem quase invisível, emergindo de um empate técnico que deixou o país em suspenso durante semanas a fio. Há 25 anos que um novo Presidente não era eleito com tanto suor e tamanha imprevisibilidade. Arrumado o “terrorismo eleitoral” da campanha, Dilma, a “guerrilheira” trabalhista, deve receber a sua vitória com uma responsabilidade acrescida. Dilma não é popular, a economia dá sinais de exaustão, o país perdeu velocidade, os serviços públicos são maus, em particular a educação e a saúde, a corrupção é assustadora, as desigualdades sociais são gritantes. Estes são os desafios que qualquer Presidente teria. São os desafios do Brasil para a próxima década. Mais do que isso, porém, há uma verdade particular que saiu do resultado destas eleições: 50 milhões de brasileiros votaram em Dilma e outros 50 milhões votaram em Aécio Neves. O país está literalmente partido ao meio. O Brasil escolheu a continuidade, não a mudança. Mas “continuar” vai obrigar o Brasil a mudar e Dilma Rousseff terá de mostrar à metade do país que não a escolheu que a metade que a escolheu tinha razão.

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