Parlamento recebe petição contra construção de parque no Príncipe Real, em Lisboa

O documento será também entregue na Assembleia Municipal de Lisboa.

Do Príncipe Real para muitas histórias, ditas por gente do mundo
Foto
Tudo se passará na zona do Príncipe Real Pedro Cunha

A Plataforma Contra o Parque Automóvel vai entregar nesta quinta-feira uma petição na Assembleia da República, com mais de 4000 assinaturas, contra a construção de um parque de estacionamento no Príncipe Real, em Lisboa.

Esta plataforma engloba representantes do Grupo de Amigos do Príncipe Real, Fórum Cidadania Lx, Liga dos Amigos do Jardim Botânico, Associação Lisboa Verde, Árvores de Portugal e Quercus Lisboa.

Uma delegação do movimento vai levar a petição, promovida online à Assembleia da República, entregando-a ao vice-presidente de turno, o deputado comunista António Filipe.

O recurso ao Parlamento prende-se com o facto de “estar em causa um monumento nacional, que é o Aqueduto das Águas Livres, do qual a Reserva da Patriarcal [situada no jardim do Príncipe Real] faz parte”, explicou hoje Jorge Pinto, da plataforma.

No documento, os signatários “manifestam o seu repúdio pela construção de todo e qualquer parque de estacionamento subterrâneo na Praça do Príncipe Real”.

Durante o dia de hoje, às 18h30, a delegação vai também à Assembleia Municipal de Lisboa, onde se reunirá com os deputados das comissões da Mobilidade e do Ambiente.

Ali, será também apresentada uma petição presencial, em papel, com 250 assinaturas.

Segundo Jorge Pinto, também membro dos Amigos do Príncipe Real, “a Assembleia Municipal tem o direito e o dever de fazer uma recomendação à Câmara de Lisboa para chumbar a intenção do construtor” e para “arquivar definitivamente” o caso.

Paulo Ferrero, do Fórum Cidadania Lx, que também integra a plataforma, assinalou que a intenção de construir este parque “já vem desde há 16 anos”, pelo que “há que acabar com esta novela”.

O responsável adiantou que, “em termos de mobilidade, não faz sentido abrir um parque de estacionamento naquela zona”.

“Se houver necessidade por parte dos moradores, há alguns locais onde podem fazer isso”, como no edifício do antigo jornal A Capital, no Bairro Alto, ou nas traseiras da Imprensa Nacional, exemplificou.

Paulo Ferrero salientou que “o que a Câmara devia fazer era abrir a linha do eléctrico” para o Príncipe Real, como era o caso do 24, e que um dos troços saia do Cais do Sodré até Campolide, passando pelo Príncipe Real.

Com a construção do parque, está ainda em causa o ambiente que, de acordo com Paulo Ferrero, já tem vindo a ser afectado, com a intervenção no piso do jardim e com uma menor sombra que levou à morte de algumas árvores.

Em Junho, o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, afirmou que as perfurações no Príncipe Real, iniciadas em Maio, foram apenas de avaliação e disse que é “negativo” construir ali um parque subterrâneo, embora tenha reconhecido que poderia ser “uma mais-valia” na zona, carente de estacionamento para residentes.

Segundo o autarca, o município apenas autorizou sondagens no local, para verificar se haveria interferência com o jardim, pelo que só se tomarão decisões quando o processo estiver terminado e apenas com a garantia de não existirem riscos.