Rui Moreira não recusa possibilidade de El Corte Inglès se instalar na Boavista

Presidente da Câmara contraria posição "pessoal" do vereador do Urbanismo sobre o atravessamento do Parque da Cidade por uma avenida

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O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, assinalou o primeiro ano de mandato, que ocorre esta quarta-feira, com uma ida ao Fórum da TSF. Em resposta ao jornalista e aos cidadãos que participaram no programa, o autarca garantiu que, enquanto for presidente da câmara, “não haverá ruas com carros no Parque da Cidade”, deixou em aberto a possibilidade do El Corte Inglès se vir a instalar na zona da Boavista e considerou que o antigo Matadouro Industrial, em Campanhã, é um espaço com “grande potencial”, mas não referiu que o prédio integra a lista dos edifícios que a câmara pretende vender em hasta pública no próximo ano.

Não é a primeira vez que a posição do vereador do Urbanismo, Correia Fernandes, e a do presidente da Câmara do Porto não parecem coincidir na sua visão para a cidade, e as últimas declarações do socialista sobre a possibilidade de atravessamento do Parque da Cidade por uma avenida, ainda que subterrânea, é mais um exemplo. Correia Fernandes sempre defendeu que a construção da futura Avenida D. Pedro IV (antiga Via Nun’Álvares), que ligará a Praça do Império à Avenida da Boavista, devia prolongar-se até Matosinhos, e voltou a referi-lo, recentemente, ainda que “a título pessoal” e admitindo que essa ligação, através do Parque da Cidade, poderia ser feita de forma subterrânea”.

Rui Moreira foi “claro” no Fórum da TSF: o único atravessamento do Parque da Cidade que poderá fazer parte dos seus planos é no contexto do atravessamento daquela “jóia da cidade” por uma linha de metro, mas sempre “com total preservação do parque”. “Não queremos nenhum arruamento à superfície no parque. Que fique claro, enquanto for presidente da câmara não haverá ruas com carros no Parque da Cidade”, disse Rui Moreira, acrescentando que não lhe “passa pela cabeça” colocar naquele espaço uma rua que ligue a Boavista à Circunvalação.

Num Fórum em que não teve de lidar com críticas dos participantes, mas apenas elogios, o presidente da câmara defendeu ainda que “não foi bom” para a cidade “não ter conseguido segurar” o El Corte Inglès (que acabaria por se instalar em Gaia), e deixou em aberto a possibilidade de o grupo espanhol se instalar, no futuro, na zona que tinha escolhido para o efeito mas que Rui Rio recusou. “O terreno da antiga estação [de recolha da CP] continua a pertencer ao El Corte Inglès e, neste momento, este não abandonou ainda o projecto de voltar ao Porto”, quando a situação económica melhorar, disse o presidente da câmara.

Sem especificar se essa seria a sua primeira escolha para aquele terreno, Moreira afirmou que “seria melhor” para a cidade e para o grupo espanhol ter ficado no Porto e que a câmara “gostaria de ver surgir alguma coisa” no terreno da Boavista. “Incomoda-nos que aquilo se mantenha vazio”, disse.

Os ouvintes não perguntaram, mas o jornalista da TSF não deixou passar em claro uma tentativa de fazer um ponto da situação sobre os processos do Mercado do Bolhão e do Bairro do Aleixo, mas o presidente da câmara não foi muito expansivo.

Sobre o Bolhão assumiu que este não estará a funcionar reabilitado em 2015, apesar de o anteprojecto estar “fechado”. Um atraso, defendeu, decorrente da decisão da câmara de manter o espaço público (o que obrigará a uma candidatura ao próximo Quadro Comunitário de Apoio) e também das patologias do edifício que se revelaram “bastante mais profundas” do que o esperado. Já sobre o Aleixo, o autarca repetiu o que tem dito – decisões sobre o futuro só depois de ser conhecido o resultado da auditoria interna ao fundo de investimento que gere o processo. Neste momento, o relatório preliminar encontra-se em fase de contraditório, o que deve estar concluído no dia 29 deste mês, sendo, depois, elaborado o relatório final.

Rui Moreira foi ainda questionado sobre o porquê de não se realizar o Circuito da Boavista este ano e sobre o que pretende fazer com o antigo Matadouro Industrial, situado na freguesia de Campanhã. Sobre o primeiro, o autarca explicou que o custo total do evento, que ficou sem o apoio do Turismo de Portugal, rondaria os “três milhões de euros”, pelo que foi assumida a “decisão política” de não avançar com as corridas em 2015.

No caso do Matadouro, Moreira elogiou as potencialidades do edifício, num território “que tem sido ignorado” e que terá de ter outra dimensão no futuro. “Campanhã será, potencialmente, o factor transformador da cidade nos próximos anos”, disse. Em resposta a um morador da zona, Moreira disse que o Matadouro é “um território muito interessante”, referindo mesmo que é “uma jóia” que a câmara terá “de ser capaz de explorar”. O autarca não referiu, contudo, que o edifício consta da lista dos prédios que a câmara pretende vender em hasta pública, no próximo ano, à semelhança, aliás, do que já fora previsto para este ano, não se tendo concretizado.

Rui Moreira também insistiu na necessidade de o município intervir no processo de concessão da STCP e garantiu que “não está [ainda] fechado” o processo negocial que a câmara está a desenvolver com outros municípios e com empresas de transporte, uma vez que, garantiu: “A câmara não pode entrar sozinha. Precisamos que outros entrem connosco [na concessão] e é nisso que estamos a trabalhar”.