Ogma aposta 35 milhões e 180 postos de trabalho no KC-390

A participação no projecto do KC-390 está a dar um forte impulso à área de fabrico da Ogma. Com uma história quase centenária, a empresa criada em 1918 e sedeada em Alverca atravessou sérias dificuldades financeiras em meados da década passada, mas a venda de dois terços do capital aos brasileiros da Embraer, em 2005, trouxe-lhe estabilidade e abriu-lhe novas perspectivas. Entre elas destaca-se esta participação no projecto do KC-390. Trata-se da primeira vez que uma empresa portuguesa se envolve desde o início no desenvolvimento e no fabrico de uma aeronave. A Ogma já investiu cerca de 35 milhões de euros e criou mais 180 postos de trabalho (assegura um total de 1566) para este projecto.

Os resultados só deverão surgir a partir de 2016, com o início da produção em série do novo KC-390. Tudo depende das encomendas que a Embraer venha a conseguir, mas a administração da Ogma acredita que este projecto vai contribuir decisivamente para que a empresa continue a crescer. De acordo com a parceria estabelecida com a Embraer no final de 2011, a Ogma é responsável pelo desenvolvimento e fabrico da fuselagem central do KC-390 e dos sponsons direito e esquerdo (conjuntos em material compósito e ligas metálicas com cerca de 12 metros que compõem a carenagem do trem de aterragem). A empresa de Alverca fabrica, ainda, os lemes de profundidade.

Rodrigo Rosa, presidente da Ogma, disse ao PÚBLICO que "a manutenção continua a ser a principal área de actividade" da empresa, embora agora, com o avanço do projecto do KC-390, a área de aero-estruturas (fabrico) tenha "cada vez mais participação no volume de negócios" (20%) da empresa. A Ogma entregou, no primeiro semestre deste ano, as fuselagens para os primeiros dois KC-390, que estão em fase final de montagem no Brasil. "A produção seriada começa apenas em 2016. Temos que esperar pela homologação e certificação da aeronave para, aí sim, planear a produção seriada, que vai depender da quantidade de aeronaves que a Embraer venda", frisou Rodrigo Rosa, explicando que as encomendas também vão determinar a eventual criação de mais postos de trabalho.

Para já, a Ogma vai continuar a preparar-se para este desafio e na nave de fabrico já decorrem, também, trabalhos para acolher uma enorme rebitadora automática, que deverá ser instalada no primeiro semestre de 2015. "Hoje nós participamos no processo de desenvolvimento e de certificação do KC-390. Com a produção seriada haverá um ritmo de produção mais cadenciado e vai haver um aumento do volume de negócios", prevê Rodrigo Rosa, que gostaria de ter mais fornecedores portugueses para este projecto, mas que admite que o mercado nacional de fabrico de componentes para a aeronáutica pouco tem evoluído nos últimos anos, obrigando a importar parte significativa dos materiais.