Porto não vai contar com o Circuito da Boavista em 2015

Falta de financiamento inviabiliza a realização da prova pontuável para o WTCC.

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Foto: Nelson Garrido

É definitivo. Ao contrário do que aconteceu no passado recente, não haverá carros do Mundial de Turismo a circular nas ruas do Porto em 2015. Nesta quarta-feira, a Câmara do Porto confirmou que não foi possível reunir a verba necessária junto do instituto Turismo de Portugal para organizar uma prova que é pontuável para o WTCC.

"Apesar de a Câmara Municipal do Porto, através da sua empresa municipal, Porto Lazer EM, ter garantido aos organizadores a montagem de toda a logística relativa ao circuito (como sempre fez), ao contrário do habitual, o Turismo de Portugal não aceitou pagar ao Eurosport uma campanha publicitária naquele canal internacional de televisão, o que garantiria a inscrição da prova no calendário FIA-WTCC", explicam os responsáveis autárquicos, em comunicado.

Em causa estaria uma quantia a rondar os 650 mil euros destinados ao pagamento “dos fees de organização exigidos por qualquer um dos promotores internacionais", como o PÚBLICO já havia noticiado, em Julho passado. Ou seja, ao Turismo de Portugal era solicitado "que comprasse uma campanha de spots publicitários no canal de televisão Eurosport", explicou a assessoria de imprensa do município. Como contrapartida, o WTCC manter-se-ia em Portugal, já que a autarquia assumiria as restantes despesas (cerca de dois milhões de euros).

Depois de reiterar a irredutibilidade do Governo no "corte total de apoios do Turismo de Portugal a provas de automobilismo", o município presidido por Rui Moreira garante que procurou outras fontes de financiamento "sem, contudo, ter obtido garantias de que estavam garantidas a qualidade e a sustentabilidade do circuito".

De acordo com as estimativas feitas no final da edição de 2007, por exemplo, o impacto económico da prova terá atingido os 88 milhões de euros, contabilizando essencialmente o impacto mediático do evento, que atingiu então mais de 450 milhões de casas em 42 países de cinco continentes. Mas, para o município, o balanço cifrou-se num prejuízo real de 317 mil euros (custos de 4,63 milhões contra proveitos de 4,31 milhões). Para a edição de 2015, Rui Moreira tinha previsto receitas a rondar os quatro milhões de euros.

Ao perder esta etapa do calendário do WTCC, Portugal fica ainda mais deserto de competições motorizadas de dimensão internacional, já que deixou recentemente de organizar um dos grandes prémios do Mundial de motociclismo de velocidade e há muitos anos que está afastado do circo da Fórmula 1.

O corte no financiamento estatal às provas automobilísticas também se estende ao Rali de Portugal. De resto, na última edição da revista do Automóvel Club de Portugal é lamentada a decisão: "O Rally de Portugal, que todos os anos traz mais de 350 mil turistas ao país, e que no ano passado gerou um retorno económico de 101,734 milhões de euros, vai ficar sem o apoio do Governo, uma decisão que os factos e a matemática tornam incompreensível", pode ler-se.