Editorial

O alarmismo do ébola é mau para a saúde

O vírus do ébola é perigosíssimo e tem de ser levado a sério em todos os países. Mas chegou o momento de combater também o alarmismo à volta do ébola. Não há qualquer vantagem em pôr um país inteiro em suspenso à espera do resultado da análise a um doente suspeito de ter ébola.

A análise demora horas, não dias, o mundo pode esperar. Não se trata de esconder a verdade. A questão é que a notícia é irrelevante e a ansiedade colectiva tem efeitos negativos no próprio combate à doença. Um dos mais óbvios é o de nos anestesiar colectivamente em relação aos perigos do vírus do ébola, fazendo com que, à medida que se acumulem casos públicos de alarmes falsos, se diminua o rigor do cumprimento dos protocolos de segurança para evitar o contágio.

Depois de mil alarmes falsos, quem vai cumprir a sério os cuidados necessários a ter perante um doente que nos chega com suspeita de ébola? Isto é valido para as equipas médicas e para a população.

O que ganhou o Reino Unido, a Suécia e, agora, Portugal, por ter estado à espera, entre a noite de domingo e as 9h da manhã desta segunda-feira para saber que a senhora internada no Hospital de São João, no Porto, não tem afinal ébola? Absolutamente nada de relevante. Apenas ruído.

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