Filipe Monte
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Filipe Monte

SU Sintrense com projecto inovador

A equipa de Sintra lançou uma escola de arbitragem para ajudar a combater as carências que se sentem no sector em Portugal

O projecto foi lançado neste mês e tem como objectivo combater a falta de árbitros e, simultaneamente, envolver os atletas e pais do clube. Pela mão de Patrícia Gonçalves, jogadora do Benfica e coordenadora da secção de râguebi do Sport União Sintrense, nasceu uma nova Escola de Arbitragem que conta com o apoio da Associação de Rugby do Sul (ARS).

“Todos os anos temos um projecto novo. Na época passada foi a equipa de sub-18 e a Escola de Arbitragem começou ainda a meio-gás. Este ano, com os pais a quererem ter uma participação mais activa no clube e com a constatação de que há poucos árbitros, achámos que era uma área importante e onde podíamos investir”, começa por contar ao P3 Râguebi Patrícia Gonçalves.

A coordenadora do SU Sintrense esteve um ano parada devido a lesão, altura em que percebeu que a arbitragem era uma boa forma de manter-se ligada ao râguebi: “Perdemos muitas vezes atletas que se magoam e que não estão ligados de outra forma ao râguebi e queríamos combater isso.” No entanto, o lado didáctico é igualmente um factor importante. “Este curso dá a conhecer as leis do jogo. Há algumas pessoas que vêem os nossos jogos e não compreendem as regras e quem não compreende as regras não usufrui realmente da modalidade”, salienta.

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Segundo Patrícia Gonçalves, há a vontade de realizar “duas sessões mensais”, sendo “uma teórica e outra prática”. O arranque previsto já para este mês. “No início convidaremos um escalão da equipa para realizar um ou mais jogos entre si para que as pessoas inscritas no curso passem da teoria à prática. Nestas sessões, teremos a presença de alguns árbitros da zona de Sintra e arredores que se quiseram associar ao projecto e que acompanharão os alunos no campo.”

E o primeiro balanço tem sido, para já, muito positivo. “O número de inscritos tem superado as nossas expectativas: o projecto foi lançado no primeiro dia de Outubro e a verdade é que pegou”, refere Patrícia Gonçalves.

Visto que só a partir dos 16 anos é que se podem frequentar os cursos da Federação Portuguesa de Rugby, esta iniciática do SU Sintrense dará “a conhecer aos miúdos interessados as leis do jogo”. “Nós podemos ser o motor de arranque para quem quer saber mais tendo qualquer idade. Não podendo tirar o curso de árbitro já, não invalida que não aprendam e que não possam arbitrar jogos. Podem-no fazer nos convívios e nos jogos desde o escalão de Sub-8 ao Sub-12”, sublinha.

O projecto conta com o apoio da ARS e nas palavras de Afonso Nogueira, coordenador técnico regional do Sul, esta é uma “acção dinâmica que traz novidade e todas essas acções são apoiadas pela ARS”. “É essa a nossa filosofia é essa a nossa génese. É o caso deste projecto”, que contará com a colaboração da Escola de Jovens Árbitros da ARS.

“No terreno estaremos presentes em acções pontuais, sejam teóricas ou práticas. Além disso, forneceremos material de divulgação e de arbitragem como apitos e manuais de jogo. A importância deste programa é muito significativa, quer para o desenvolvimento da arbitragem quer para o próprio jogo”, elogia.

O juiz português refere ainda que “projectos pioneiros como este” não pretendem criar “árbitros internacionais de um dia para o outro”, vincando que a aposta é a médio e longo prazo. “Neste momento temos árbitros que começaram a sua carreira na Escola de Jovens Árbitros, há oito anos. É o meu caso, é o caso do Paulo Duarte, do Pedro Graça e da Filipa Jales. Todos eles são árbitros que estão na primeira linha nacional e internacional”, enaltece Afonso Nogueira.

O projecto do SU Sintrense está aberto a todos, sejam árbitros, clubes ou privados e os interessados podem contactar o clube de Sintra através do seguinte email: [email protected]