Torne-se perito

Risco de venda da PT arrasta acções para uma queda de 12,92%

Títulos da Oi encerraram na quarta-feira a cair mais de 8% na bolsa de São Paulo.

Se a PT, liderada por Zeinal Bava, ganhar o concurso, não deverá receber compensação
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Saída de Zeinal bava penaliza acções da PT e da Oi. Foto: Rui Gaudêncio

As acções da Portugal Telecom encerram nesta quinta-feira em forte queda, de 12,92%, para 1,42 euros, a reflectir a tomada de consciência, por parte dos accionistas, do risco que poderá advir da venda da empresa por parte da Oi.

Ao longo da sessão, as acções da empresa portuguesa chegaram a perder 13,13%, com 29,1 milhões de titulos transaccionados, muito acima da média diária, que é de 8,9 milhões de acções.

No Brasil, as acções da Oi também registaram forte desvalorizações na sessão de quarta-feira, com quedas de 8% nos títulos cotadas na Bolsa de São Paulo e de 3% nos ADRS cotados em Nova Iorque.

Apesar da notícia da demissão de Zeinal Bava da presidência executiva da Oi, as acções da PT, que está em processo de fusão com a empresa brasileira, estiveram boa parte da sessão de quarta-feira a subir. O encerramento acabou por ser em queda, mas apenas de 1,63% e acompanhando a tendência de queda do restante mercado.

A subida durante a sessão de quarta-feira pode ser explicada pela expectativa, errada, de que uma venda da PT poderia ser benéfica para os actuais accionistas da empresa portuguesa.

A venda não deverá gerar qualquer compensação aos accionistas, devendo a receita da venda ser canalizada para amortização de dívida e para as compras que a operadora brasileira pretende fazer. Esta tomada de consciência, bem como uma maior avaliação da actual situação da PT na parceira com a Oi, explica a queda actual. A PT detém actualmente 25% da Oi.

No Brasil, a queda das acções reflecte a saída de Zeinal Bava, um gestor que percebia do negócio das telecomunicações, e deixa evidente as divergências internas entre accionistas face ao caminho a seguir.

A saída de Zenal Bava acontece depois do negócio desastroso de empréstimo de dinheiro (papel comercial) ao Grupo Espírito Santo, que enfraqueceu a posição accionista da PT na Oi. Depois de um projecto inicial em que PT ia comprar a Oi, a PT acabou numa posição bem mais fragilizada, admitindo-se a possibilidade da sua venda.

A bolsa de Lisboa encerrou a cair 2,18%, num dia negativo na generalidade das bolsas europeias.

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