Editorial

E o que será a PT depois de Bava?

Poucos ainda acreditarão na tal grande multinacional de língua portuguesa.

Já há muito que se adivinhava a saída de Zeinal Bava da empresa que resultou da fusão entre a Portugal Telecom e a brasileira Oi. Quando Henrique Granadeiro caiu, percebeu-se que não iria cair sozinho. O antigo presidente da operadora de telecomunicações disse que não iria assumir “os encargos e responsabilidades de outros”. E na altura já se imaginava que Bava também pudesse ter alguma responsabilidade nos investimentos ruinosos que a PT fez em empresas do grupo BES. Aliás, o relatório da comissão de auditoria da PT divulgado esta semana pelo PÚBLICO retrata ambos os gestores como tendo estado “capturados” pelos interesses do BES.

E o dinheiro que a PT investiu (e perdeu) no grupo BES foi a areia na engrenagem que, não tendo travado a fusão da PT com a Oi, desvirtuou a operação, pelo menos da forma como esta era encarada pelos accionistas portugueses. Num fechar de olhos, a Oi/PT deixou de ter gestores portugueses em posições de relevo e os accionistas nacionais perderam peso.

Bava deixou-se ultrapassar pelos acontecimentos de que ele próprio fez parte. E de repente a ideia de criação de um grande operador luso-brasileiro – que esteve na origem do processo de fusão com a Oi – começa a aparecer apenas como uma miragem. A saída de Bava coincide com um período em que o mercado de telecomunicações no Brasil está ao rubro. E um dos cenários em cima da mesa é a possibilidade de a Oi poder vir comprar a TIM, vendendo os activos da PT para ajudar a financiar a operação. Um cenário humilhante para a PT.

Os colaboradores da PT próximos de Zeinal Bava atribuíam-lhe a seguinte frase: “É bem-sucedido quem erra menos”. Bava errou. Granadeiro errou. Os maiores accionistas erraram. Resta saber o que vai acontecer à PT que, num ápice, passou de indispensável para alienável.