Oi diz que ainda não decidiu se PT é activo para venda

Operadora brasileira garante que não recebeu qualquer proposta de compra pelos negócios da PT em Portugal.

Investidores estão preparados para avançar com providência cautelar
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Entrega do serviço fixo de telefone à PT obrigou Estado português a pagar multa de três milhões a Bruxelas Público

A PT foi uma empresa emblemática, mas agora a Oi não sabe se vai colocá-la na lista de activos para venda. A operadora brasileira, que ainda está em processo de fusão com a PT, mas que na prática já controla todos os seus activos, veio garantir nesta terça-feira que não tomou qualquer decisão sobre a venda dos negócios em Portugal, nem recebeu qualquer proposta por eles.

“Até à presente data, não existe decisão visando à alienação de seus activos em Portugal, nem tampouco [a Oi] recebeu qualquer proposta para isso”, lê-se num esclarecimento publicado pelos brasileiros, depois das notícias da existência de negociações com os franceses da Altice para venda da PT.

A empresa salientou no entanto que "é parte de sua estratégia buscar e analisar alternativas para reforçar e melhorar sua flexibilidade financeira, permitindo aumentar os vencimentos e maturidades da sua dívida, reduzir o custo associado ao financiamento e fortalecer a sua posição de liquidez, inclusive por meio de eventual alienação de activos não estratégicos e participações em controladas”.

O PÚBLICO sabe que a Altice, que em Portugal já tem a Cabovisão e a Oni, está a negociar directamente com os accionistas da Oi a compra da PT. Entre os principais accionistas da Oi estão fundos de pensões de empresas públicas brasileiras e o banco estatal BNDES, mas a empresa é controlada pela AG Telecom e pela La Fonte, liderados respectivamente por Sérgio Andrade e Carlos Jereissati.

Os dois grupos empresariais, que no final da década de 90 se uniram para concorrer à privatização das telecomunicações no Brasil e entraram na Telemar (que deu origem à Oi) chegaram a ser apelidados pelo ministro das Comunicações de então, Luiz Carlos Mendonça de Barros por “telegangue”.

Uma questão que se coloca agora é a do valor da dona do Meo. O BBVA fala em 7800 milhões de euros e o BESI (banco de investimento do Novo Banco, que é accionista da PT), em 6700 milhões. Já o jornal brasileiro Estadão diz que a Oi mandatou o BTG Pactual para vender a empresa por 6500 milhões de euros. Os rumores de venda continuaram a favorecer a cotação da empresa, que ontem voltou a fechar a valorizar, subindo  mais de 1% para os 1,64 euros.

Fez no sábado dois anos que foi publicado o despacho em que o Governo autorizou a concessão de incentivos à construção do data center da PT na Covilhã. “A Portugal Telecom Data Center (...) insere -se no Grupo Portugal Telecom que se posiciona como líder no sector das telecomunicações e multimédia em Portugal”, lia-se então no diploma assinado por Paulo Portas e Álvaro Santos Pereira (à data, ministros de Estado e dos Negócios Estrangeiros, e da Economia, respectivamente).

O investimento, de cerca de 90 milhões de euros, recebeu, pela sua “grande relevância para a economia nacional”, incentivos financeiros de cerca de 17 milhões de euros no âmbito do QREN. Desde então, muita coisa mudou. Paulo Portas é agora vice-primeiro ministro, Álvaro Santos Pereira já não é ministro da Economia, e a PT já não é a PT, é uma subsidiária da Oi,e parece prestes a mudar de mãos.