Portugal de porta aberta para ser alternativa ao abastecimento de gás à Europa

Situação política da Ucrânia marcou debate sobre questões energéticas no encontro do Grupo de Arraiolos que decorre em Braga. Jorge Sampaio, que devia ter falado sobre imigração, cancelou a presença por motivos de saúde.

Os chefes de Estado estão reunidos na sala do capítulo do Mosteiro de Tibães, em Braga
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Os chefes de Estado estão reunidos na sala do capítulo do Mosteiro de Tibães, em Braga Paulo Pimenta
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Cavaco Silva Paulo Pimenta
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Cavaco Silva e o Presidente da Polónia, Bronislaw Komorowski Paulo Pimenta
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Os Presidentes português e alemão Paulo Pimenta
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O Presidente da Letónia, com Cavaco Silva Paulo Pimenta
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O Presidente da Áustria, com Cavaco Silva Paulo Pimenta

A Ucrânia não faz parte do Grupo de Arraiolos, mas o nome do país andou na boca dos nove Presidentes da República daquele clube informal que, esta segunda e terça-feira, estão reunidos em Braga. Porque boa parte dos países europeus tem que resolver o problema da sua dependência do gás russo.

A crise política naquele país deu um novo sentido ao problema da dependência da Europa relativamente ao fornecimento de gás que é proveniente maioritariamente da Rússia. Portugal pode ser uma das portas de entrada para uma solução alternativa, defende o Presidente da República, Cavaco Silva, que contou com o apoio do homólogo polaco.

Na abertura da primeira sessão de trabalho do 10º encontro do Grupo de Arraiolos, Cavaco Silva fez um enquadramento da questão energética da União Europeia, onde apenas quatro países não são abastecidos pela Rússia. Por isso, “é muito claro para todos” que a questão ucraniana é “fulcral” em matéria energética, disse. O Presidente português foi secundado nesta preocupação pela generalidade dos chefes de Estado presentes que, pela sua localização geográfica, estão expostos às consequências dos problemas a Leste.

Estónia, Letónia e Polónia são alguns dos países com assento nesta reunião e foi do Presidente polaco que Cavaco sentiu o maior apoio à proposta introduzida na sua primeira intervenção: a possibilidade de diversificação do fornecimento de gás à Europa, estendendo a rede que serve o Centro e Leste à Península Ibérica. Portugal e Espanha têm a sua própria rede, recebendo energia através do Magrebe e também através de alguns dos seus portos, como Sines.

Esta possibilidade “é viável” e é “uma alternativa” à dependência da Rússia em matéria energética, destacou Cavaco, apoiado, de seguida, pelo Presidente da Polónia, Bronislaw Komorowski, que era o orador principal da primeira sessão de trabalho. Os dois países – juntamente com a Espanha – já tinham apresentado uma declaração ao Conselho Europeu, em Junho, apelando a que a União Europeia tomasse uma iniciativa política de apoio às alternativas de fornecimento de energia.

O Presidente da Alemanha, um dos países com relações mais intensas com a Rússia em matéria de energia, também está presente em Braga, nesta reunião do Grupo de Arraiolos, mas os ecos da sua intervenção sobre o tema não saíram da sala do capítulo do Mosteiro de Tibães, onde decorre o encontro.

Sampaio ausente
Na reunião que começou esta segunda-feira, não marcou presença Jorge Sampaio, ao contrário do que estava previsto. O ex-Presidente da República cancelou todos os compromissos previstos para esta semana, depois de, no sábado, se ter sentido indisposto, quando regressava de Nova Iorque.

Sampaio falhou assim o regresso ao Grupo de Arraiolos, um clube informal de chefes de Estado europeus, que o próprio tinha fundado, em 2003. O ex-chefe de Estado e Alto Comissário das Nações Unidas para o Diálogo das Civilizações devia ter feito o discurso de abertura da segunda sessão de trabalho do encontro, dedicado ao tema da imigração. A primeira intervenção do painel acabou por ser feita pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

O encontro do Grupo de Arraiolos termina esta terça-feira com um dia dedicado à ciência, que inclui uma visita ao Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia e a terceira e última sessão de trabalho que tem como mote “O papel da investigação e inovação na promoção do crescimento, da competitividade e na criação de emprego”. O discurso de abertura dessa sessão vai estar a cargo do Presidente da República finlandês, Sauli Niinistö. No final da manhã, os nove presidentes darão uma conferência de imprensa conjunta onde farão o balanço dos dois dias do encontro.