Seguro assume derrota e demite-se de secretário-geral do PS

O até agora líder socialista agradeceu a todos aqueles com quem trabalhou na construção de um Portugal "mais justo e mais livre". As felicitações a António Costa ficaram para o fim. Na hora de sair diz que nada ficará como dantes.

António José Seguro esteve três anos à frente do PS
Foto
António José Seguro esteve três anos à frente do PS Miguel Madeira

Duas horas após o encerramento das urnas, António José Seguro assumiu a derrota nas eleições primárias e demitiu-se do cargo de secretário-geral de PS, que ocupava há três anos.

“Cesso hoje as funções de secretário-geral do Partido Socialista. Tive uma enorme honra em servir Portugal através da liderança do PS, honra a que somou a alegria de trabalhar diariamente ao vosso lado na construção de um Portugal mais justo e mais livre”, declarou António José Seguro numa intervenção feita na sede nacional do partido.

Visivelmente agastado, Seguro agradeceu depois aos socialistas que por duas vezes o elegeram líder do PS e a oportunidade que lhe proporcionaram de servir Portugal e os portugueses.

“Saúdo todos os socialistas e simpatizantes do PS que hoje votaram nas primeiras eleições primárias da nossa democracia. Juntos fizemos história, qualquer que tenha sido o vosso voto. Saúdo-vos pelo vosso gesto cívico e pela vossa participação e permitam-me que partilhe convosco o orgulho que sinto por ter tomado a iniciativa e tudo ter feito para aprovar a realização das primeiras primárias em Portugal”, declarou para afirmar que “estas eleições primárias são a melhores comemoração dos 40 anos do 25 de Abril de 1974”. A sala aplaudiu entusiasticamente Seguro.

Tal como fizera na sexta-feira, em Vila Nova de Gaia, no último jantar da campanha interna, o até agora líder do PS agradeceu a todos aqueles que estiveram do seu lado e deram “muito do seu trabalho e disponibilidade para garantir a concretização destas primárias em particular à sua comissão eleitoral”.

Para o fim, ficaram as felicitações a António Costa e todos os que ganharam as eleições. “Em democracia ganha as eleições quem tem mais votos e nós respeitamos o resultado destas eleições primárias. O PS escolheu o seu candidato a primeiro-ministro, está escolhido. Ponto final”, disse.

“Nesta noite de grandes emoções”, Seguro quis ainda agradecer a socialistas e simpatizantes pela confiança e apoio no projecto de mudança para Portugal. Lembrou depois as eleições europeias para regressar às primárias para dizer que a “campanha foi memorável” e que “permite afirmar que nada ficará igual, nem no PS nem na democracia portuguesa.

“Temos orgulho no que fizemos, sinto-me honrado pelo vosso apoio. Para mim, cada um de vós é especial. Não vos esquecerei e lembrem-se: o compromisso com as causas que defendemos não dependem dos cargos que ocupamos, mas sim da força das convicções”. A sala irrompeu mais uma vez em aplausos e Seguro abandonaria a sede nacional do Rato.