De madrugada, 300 pessoas “pisaram” história no Buçaco

Na madrugada em que se assinalaram os 204 anos da Batalha do Buçaco, muitos quiseram recuar no tempo, desbravando os trilhos percorridos pelos soldados dos exércitos anglo-luso e francês, em 1810.

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Às três da madrugada, eram já muitos os semblantes que evidenciavam algum sono e cansaço, mas a satisfação de ter participado numa aventura única conseguia falar mais alto. Para trás tinham ficado cerca de quatro horas de caminhada - por trilhos de montanha, bravados na escuridão da noite -, que pretenderam ser também uma viagem no tempo, mais concretamente até ao ano de 1810, data da Batalha do Buçaco.

Cerca de 300 pessoas aceitaram, anteontem à noite, o desafio da Fundação da Mata do Buçaco, e das câmaras da Mealhada e Penacova, para “pisar história” e partir à descoberta dos momentos que antecederam à batalha travada entre os exércitos anglo-luso e francês (27 de Setembro de 1810), durante a Guerra Peninsular, na Serra do Buçaco.

Uma aposta que pode vir a ter continuidade em anos futuros, segundo estimou o presidente da câmara de Penacova, Humberto Oliveira, que esteve entre os participantes desta aventura nocturna. “As Invasões Francesas podem vir a tornar-se num produto desta região”, argumentou o edil, ao mesmo tempo que anunciava que essa proposta poderá ter estruturada em conjunto com a Turismo do Centro e também com o outro município abrangido pela Serra do Buçaco, Mortágua.

Se houver novas edições, uma coisa parece estar garantida: alguns dos participantes desta primeira experiência estão dispostos a repetir a aventura. “Foi muito divertido e a parte histórica foi muito interessante”, testemunhou Fátima Pinto, que viajou do Porto até ao Buçaco. José Araújo, que veio da mesma cidade, também fez uma avaliação positiva, mas não deixou de notar um “senão”: “A caminhada teve muitas paragens e isso acaba por nos cansar mais”.

Também Graça Oliveira e Ana Soares, originárias da cidade de Aveiro, reparavam no facto de “se ter parado por diversas vezes, perdendo-se muito tempo”. “Três da manhã já é muito tarde para acabar uma caminhada”, notavam. Ainda assim, estas duas amigas, habituadas a grandes caminhadas – no seu curriculum contam já com aventuras nos Pirenéus e noutras paragens mais longínquas como a Patagónia ou o Nepal – acharam “interessante” a vertente histórica da caminhada nocturna no Buçaco.

Início na Cruz Alta
A “viagem” até 1810 teve início na Cruz Alta, depois de um aquecimento físico ao som de uma banda sonora em nada histórica – os exercícios foram feitos ao ritmo de alguns dos maiores “hits” da actualidade. Acompanhados por um guia que vestia o papel de “general inglês”, os participantes lá tomaram o seu caminho pela Serra do Buçaco. Ao longo do percurso foi possível ver alguns quadros cénicos que retratavam episódios da passagem da Batalha naqueles locais.

Um desses episódios retratava um acampamento de camponeses, que por essa altura tinham sido aconselhados pelo General Wellington - que liderou as tropas luso-inglesas - a abandonar as suas casas e seguir em direcção a Lisboa. Neste local foi possível perceber a alimentação da época e até mesmo saboreá-la: ovos e chá de carqueja.

Mais à frente, os participantes deparam-se com sons ensurdecedores e luzes intermitentes, espalhadas ao longo de uma ravina. Estava criado o cenário para levar os aventureiros a imaginarem-se na frente da batalha travada entre as tropas francesas e anglo-lusas. Outro dos episódios retratados aconteceu em Santo António do Cântaro, última paragem, quando os participantes foram recebidos a cavalo pelo General francês Reyneir, que os acompanhou até ao acampamento onde estavam localizadas as tropas francesas com fogueiras que permitiram às tropas anglo-lusas identificar a sua localização. Era o mote para dar a aventura por terminada: no acampamento, os participantes tinham à sua espera um convívio, com música, vinho, água, pão e porco no espeto.

Da parte da Fundação da Mata do Buçaco ficou a avaliação final: “o evento superou todas as expectativas com cerca de 300 inscrições”. “Nem a distância do percurso, sete quilómetros, nem o piso, por vezes acidentado, levaram à desistência dos participantes”, destacaram os responsáveis da fundação, em comunicado.

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