FIFA vai proibir passes partilhados entre fundos e clubes

Revolução à vista quanto à detenção dos direitos económicos dos jogadores.

Blatter disse que a FIFA quer que os passes dos jogadores sejam só dos clubes
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Blatter disse que a FIFA quer que os passes dos jogadores sejam só dos clubes SEBASTIEN BOZON/AFP

A FIFA vai proibir que os passes dos futebolistas sejam partilhados com fundos de investimento, como acontece em Portugal com alguns clubes, anunciou nesta sexta-feira o presidente do organismo, o suíço Joseph Blatter.

“Isto não pode acontecer de um momento para o outro e será necessário um período de transição”, explicou Blatter. O dirigente, que falou após a reunião do comité executivo do organismo, disse tratar-se de uma “decisão firme”, no seguimento de um estudo de um grupo de trabalho em relação a essa matéria.

Com a proibição de os fundos de investimento participarem nos direitos económicos dos jogadores, a FIFA responde a um pedido do presidente da UEFA, Michel Platini, que em Março pediu para que se “afrontasse este problema de uma vez por todas”.

“Os jogadores não pertencem aos clubes”, denunciou então Platini, referindo que são cada vez mais propriedade de “empresas ocultas controladas por agentes desconhecidos ou fundos de investimento”.

O presidente da UEFA não perdeu tempo em reagir a esta decisão e confessou a sua satisfação. “Estou muito feliz pelo futebol e pelos futebolistas que a FIFA tenha seguido a iniciativa e recomendações da UEFA para proibir a prática de propriedade [dos passes] por terceiros. Há anos que venho a alertar que esta prática — que se tem generalizado cada vez mais — é um perigo para o nosso desporto”, vincou o dirigente.

Na opinião de Platini, a partilha dos passes dos futebolistas por diversas entidades que não apenas os clubes “ameaça a integridade das competições, danifica a imagem do futebol, representa uma ameaça a longo prazo para as finanças dos clubes e ainda levanta questões de dignidade humana”.

Em ligas como a inglesa e a francesa, o passe dos futebolistas tem que pertencer integralmente ao clube, mas em Espanha e Portugal generalizou-se a posse partilhada.