Testámos "Destiny", o videojogo que vai marcar o ano

É considerado um dos melhores videojogos de sempre mas a sua aura, reforçada pelo marketing, é merecida? Pode ser o jogo do ano

Depois de 107 horas, um jogador atingiu o nível 30 de "Destiny" a 22 de Setembro. Com o pseudónimo BGTV N3AC3Y, ele foi o primeiro num jogo que tem captado a atenção desde que foi lançado a 9 de Setembro.

No site DestinyDB, é referenciado como o primeiro a conseguir tal feito. Gastou no total 107 horas e 15 minutos, "morreu" 251 vezes e "matou" 2008 inimigos.

O jogo demorou quase uma década a ser concretizado pelo estúdio Bungie e foi antecipado como o maior investimento de sempre nos videojogos pela distribuidora Activision. Mas "Destiny" é algo que valha a pena ter nas consolas PlayStation (Sony) ou Xbox (Microsoft), pagando quase 70 euros?

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Como First Person Shooter, o jogador visualiza os oponentes com uma arma na mão

Na ficção de "Destiny", o jogador é um Guardião ressuscitado na última cidade da Terra, daqui a 700 anos, com missões a evoluir para a Lua, Marte e Vénus, tentando destruir diferentes vilões, robóticos ou alienígenas. Se triunfar, torna-se "a Lenda".

O Guardião é acompanhado pelo pequeno robô voador Ghost - que lhe indica o caminho, descobre armas e o ajuda a superar obstáculos -, com a voz de Peter Dinklage, da série televisiva Game of Thrones.

O jogo é uma mistura de FPS e de MMO. Como "First Person Shooter", o jogador visualiza os oponentes com uma arma na mão. Na opção "Massively Multiplayer Online", tem outros jogadores, ligados entre si pela Internet, para o ajudarem a conseguir finalizar as missões.

A Activision tentou criar um novo termo de marketing para "Destiny", como o primeiro “shared-world shooter”. É cooperativo (com amigos ou desconhecidos) mas resguarda as características individuais na evolução da aventura e obtenção de troféus. A opção multijogador ajuda principalmente na fase final das missões, perante vagas de atacantes, mas tem lacunas. No site da Bungie, o utilizador Legendz559 questionava há dias porque não podem os jogadores comunicar entre si. Outros perguntam porque não podem os jogadores numa Xbox interagir com os da PlayStation.

A empresa analisa o que está a suceder online em cada momento do jogo e tem servidores informáticos em todo o mundo para garantir que a experiência do jogo não é comprometida. A oferta é escalável, pelo que o jogo decorre sem problemas mesmo nos picos de utilização - excepto quando há ataques de negação de serviço, como ocorreu há dias com o ataque do grupo de piratas Lizard Squad, que bloqueou os servidores informáticos de "Destiny".

O responsável de operações da Bungie, Pete Parsons, coloca a experiência que se tem com "Destiny" ao nível de Star Wars, Lord of the Rings ou Harry Potter. Mas nem todos gostaram do jogo: no site da Bungie, o utilizador Biker Bob 1971 afirmava que, após jogar cerca de seis horas, o considerava “chato, inconsistente e muito francamente a não valer o dinheiro que paguei”.

A opinião é contrariada pelo mercado, que acredita ser um título disruptivo. Em Agosto, o estúdio concorrente Take-Two adiou para Fevereiro o lançamento previsto para Outubro de Evolve - outro jogo de ficção científica FPS e MMO -, alegando ser necessário "mais tempo para o polir". Tempo é o que a Bungie também terá, porque se antecipam mais sequelas de "Destiny" até 2020.

A criação do jogo remonta à fundação da Bungie em 1991, por Jason Jones e Alex Seropian. A empresa foi responsável por títulos como Myth ou Marathon Trilogy – um FPS antecessor da série Halo, um exclusivo para a Microsoft que ajudou a lançar a consola Xbox no início deste século. Agora, a Bungie está localizada em Bellevue, no estado de Washington, perto da sede da Microsoft, com 500 pessoas, das quais 200 artistas e 100 engenheiros.

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