Área cultivada de milho geneticamente modificado aumenta em relação a 2013

Alqueva está a revelar-se determinante para a progressão da cultura que já predomina em 23 concelhos da região alentejana com destaque para o distrito de Beja.

O milho já é a cultura arvense com maior expressão em Portugal
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O índice dos cereais recuou dos cerca de 260 pontos atingidos em meados de 2011 para 173,8 pontos em Janeiro passado pedro cunha/arquivo

Quando já se vaticinava o declínio da cultura de milho geneticamente modificado (OGM) em Portugal, os dados nacionais divulgados pela Direcção Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV) relativos a 2014 referem que o cereal ocupou uma área com 8542 hectares, um aumento de 349 hectares em relação a 2013.

Mesmo assim, a subida verificada ainda está longe de compensar o significativo decréscimo de 1086 hectares que se verificou em relação a 2012, ano que registou a maior área plantada milho transgénico desde 2005, ao atingir os 9278 hectares.

Analisando a progressão da cultura a nível nacional conclui-se que o norte do país teve um aumento de seis hectares em relação a 2013. Na região centro foram cultivados mais 81 hectares. No território de Lisboa e Vale do Tejo baixou dos 2215 hectares para os 2074 hectares, mas no Alentejo passou dos 5041 hectares para os 5456 hectares. O Algarve apenas regista a plantação de 50 hectares de OGM entre 2007 e 2009.   

O cultivo de variedades de milho geneticamente modificadas “tem vindo a ser realizado em Portugal desde 2005”, em consequência da inscrição efectuada pela Comissão Europeia das primeiras variedades deste cereal “no Catálogo Comum de Variedades de Espécies Agrícolas”, esclarece a Direcção Regional de Agricultura do Alentejo.

A evolução da área cultivada com a variedade de milho transgénico MON 810 no nosso país não se tem revelado muito significativa desde que foi autorizada pelo Ministério da Agricultura. Subiu dos 772 hectares em 2005 para os 8542 hectares em 2014.

A Plataforma Transgénicos Fora do Prato, organização que integra a Rede Europeia de Associações sobre Engenharia Genética, refere que o cultivo de milho transgénico “está a enquistar em Portugal em zonas residuais relativamente ao cultivo de milho em geral”, frisando que a cultura “não conseguiu sequer atingir ainda o patamar dos 10%”. O milho transgénico em Portugal, prossegue a Plataforma “é uma opção residual, longe de encantar a maioria dos produtores”.

Com efeito, dos 172 mil hectares de milho cultivado em 2005, a variedade geneticamente modificada ocupou apenas 0,5% desta área. Em 2014 a percentagem subiu para os 6,3% dos 136 mil hectares que foram destinados à cultura do cereal não transgénico.

A contribuição do sistema de rega do Alqueva para o incremento desta variedade OGM tem-se revelado determinante para o aumento da área ocupada por esta variedade de milho. Assim, em 2005, foram ali cultivados 596 hectares dos 772 a nível nacional. Em 2014 dos 8542 hectares, 5456 distribuem-se por 23 concelhos alentejanos com maior expressão na área sob influência da albufeira.